2007/11/02

Sobre o Infeliz

Paulo Martins - Os meus lápis de cor - (uma eu removi a saturação)
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``Infeliz é quem infelicidades faz.`` - Patrícia Antoniete
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Infeliz é aquele que, enganando-se, acha que pode fazer o mesmo com os outros. Até pode, porém com aqueles que também não sabem experimentar a sinceridade de um momento que, num próximo minuto, se eterniza. Infeliz é aquele que, sabendo não sentir, insiste em transmitir o que não é, como se passasse uma vida tentando se convencer de que o que vê é colorido, mas ele sabe, ele sabe sim, que tudo não passa de um apático e monótono preto-e-branco.
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A felicidade não é uma fase, é um momento. (JB Carvalho)
E eu digo que depende de nós torna-la eterna.
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Não é fácil viver momentos reais e plenos em que se pode dizer ``eu sou feliz``. Mas, mais difícil do que isso, deve ser SE enganar sobre uma verdade estampada nos olhos e cravada no coração, mas que, a qualquer custo, vale a saída mais curta que é a de mentir que não é infeliz.

2007/10/21

Possibilidades

Agora eu sou essa porta entreaberta, esse prefácio de dia, essa aurora que quer raiar. Devo ser também um livro com algumas páginas desentendidas, alguns rabiscos de sonhos, de devaneios, de futuros ou de decepções. Sou mais essa página e também essa caneta que escreve e desiste, desenha e sorri, balbucia e a lugar nenhum chega, parecendo des-esperar. Vês algo entre as folhas? Entre o agora e o passado há tanto o que se dizer, há tantas lacunas e questionamentos que pairam nos cumes do invisível e do improvável... Perguntas ao nada, respostas que fogem ao coração. E eu, à beira, permaneço quieta e muda, abdicando de convicções, como aquele livro agora fechado e como a caneta sobre a mesa. Posso ser quem sabe essa leve brisa, ou até mesmo (e até prefiro) uma pétala esquecida ao canto que, num secreto calar, espera pelos raios de um sol que não tarda, e permite que absorva um pouco da sua singela essência de querer ser infinitamente grande.

2007/10/15

Eu mais Tu

Carlos Gomes - Eu mais Tu

Lembro-me de quando eu começava a traçar com a ponta dos dedos linhas desconexas sobre o teu corpo, e quando tu estendias o teu horizonte paralelo ao meu. Lembro bem, ríamos e brincávamos como duas crianças, numa inocência nossa, e esquecíamos o tempo, as diferenças, a distância. Os nossos mundos eram um colorido que fazia sentido. Era como se sentássemos ao chão com folhas de papel em branco, e nelas desenhássemos aquilo que seriamos, o que ninguém poderia tirar, um tão esperado existir de amor começando a ser. Eu desenhava um casal, então tu vinhas e os rodeava com um coração. Tu desenhavas o abstrato, e eu escrevia o meu nome no teu papel. Nós riamos, e sabíamos nos completar.

Eram bonitos os nossos retalhos lado a lado, as nossas dobras de vida, os nossos pedaços de sonhos todos juntos. E hoje, não sei por quê, mas à memória veio a lembrança de que estão todos ainda colados ao peito.

2007/10/07

Últimas, Penúltimas, Antepenúltimas...

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Ultimamente eu prefiro pensar em (definitivamente) não olhar mais para trás, e apenas continuar cultivando expectativas sob o olhar de um horizonte que deixa de ser confuso, e se aproxima de mim, em dias que se re-criam.

E você, no que tem pensado?

2007/10/01

Dia 1 de Outubro e as Borboletas

Dia 1 de outubro, e eu estou aqui registrando em palavras mais momentos da minha vida. Realmente eu não pensei que fosse estar da forma que estou hoje. E não sei definir. Sei que é uma alegria incontida, um não saber o que me aguarda, mas tendo certeza de que é bom. Um futuro de promessas que a vida sempre me fez, e que vejo-as a poucos momentos de materializarem-se. Um olhar novo, um pensar renovado, um coração simples.
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E se eu for pensar no dia 1 de outubro de 2006, eu estava completamente confusa, perdida, indecisa. Não me lembro como estava o tempo naqueles dias, mas hoje foi um dia de ventos que anunciaram a chuva que cai agora, deixando a luz fraca e o meu coração feliz. Como se desde lá eu estivesse sendo preparada para essa novidade, esse cheiro de terra molhada, essa surpresa do tempo. E, junto com essa chuva, também deságuam dentro de mim perspectivas, sonhos, desejos, coisas muito bem-vindas e aguardadas.

Penso agora em borboletas, como devem estar se sentindo em meio a essas gotas? Será que desencasulam amanhã? Será que deixam para depois? Penso que querem mesmo é aspirar a nova vida juntamente com uma chuva torrencial, ou uma garoa, ou pingos de um amanhecer. Borboletas me fascinam, flores também. Que capacidade de tornar um tempo de vida efêmero em eternidade, em alegria para os românticos, para os poetas, para as crianças... Quem não se encanta com uma borboleta ou uma flor que morrerá dali a alguns dias, meses, mas que deixou um encantamento por onde passou?

Se continuar a pensar em borboletas por mais um breve instante, chegaria a conclusão de que existem espécies que fazem questão de serem lembradas por seus vôos altos, ou por suas cores belas, e só. Não julgo-as. Mas digo ainda que há outras, que preferem ser lembradas simplesmente por terem des-encasulado, e visto um mundo que fora do casulo é o mesmo, mas que, dentro de si, depois de todo aquele tempo de metamorfoses, é como nenhum outro. Eu fico com estas.

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............................................................................... fotolog.com/treebeard

2007/09/30

Uma poesia basta, a de Fernando Pessoa

Le Borgne - Inertie

Sossega, coração! Não desesperes!

Talvez um dia, para além dos dias,

Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,

Atingirás a perfeição de seres.



Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!

Pobre esperença a de existir somente!

Como quem passa a mão pelo cabelo

E em si mesmo se sente diferente,

Como faz mal ao sonho o concebê-lo!



Sossega, coração, contudo! Dorme!

O sossego não quer razão nem causa.

Quer só a noite plácida e enorme,

A grande, universal, solente pausa

Antes que tudo em tudo se transforme.



Fernando Pessoa, 2-8-1933.


2007/09/23

Ser inteiro

Ainda que alguns pedaços lhe faltem, (por conseqüência dos ventos mais fortes da vida) como sentimentos que se foram, palavras que se perderam, atitudes que se demoram... Ainda que isso deixe as vistas turvas, o caminho difícil, as pernas dormentes, somos um inteiro: de amor, de sorrisos, de tudo o que quisermos. E não fragmentos de algo que um dia já nos foi um todo, e que hoje não é mais. Só é pedaço que se permite. Nada pode tirar de nós aquilo pelo qual lutamos para ser. Ainda que, por um instante, não sorria, vc é inteiro de sorrisos, inteiro de amor, inteiro de felicidade. E não um pedaço de tristeza aqui, com outro pedaço de solidão acolá, com outro pedacinho de alegria bem ali...

Somos inteiros daquilo que decidimos ser. E, se alguém um dia duvidar da sua completude, sorria, já que você é inteiro de sorrisos, e mire os olhos de quem é pedaços, ou um inteiro de lágrimas.

Procuremos, por isso, ser inteiros de descobertas, inteiros de sentimentos bonitos, inteiros de felicidade e inteiros de tudo aquilo que o coração quiser se completar.

2007/09/17

Atualizando, Breviedades, Parada para o lanche ou Notícias do fronte

A pós-graduação com duração de 3 semestres no Mackenzie-SP custa R$: 10.587,00. Eu não queria saber nada sobre " O projeto de Arquitetura na cidade contemporânea" mesmo. :/

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Assisti ao filme Tropa de Elite pirata e sem o final (sim, eu sei que não deveria com piratas, mas já foi) e com o Jonathas traduzindo o filme pra mim, já que o som não contribuía. PRECISO ir ao cinema ver o fim e logo. Valeu Jonathas, só não valeu o sofá apertado e a falação. Af! E volta logo que faltou tu na foto ontem. Hunf!

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Eu preciso de um lugar para colocar minhas fotos. Um flog? Um flickr? Picasa? Álbum do Yahoo? E a paciência?

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Discutir com o seu orientador de projeto final e ele dizer em todas as aulas "Mas que menina estressada!" não ajuda o projeto a ficar bão.

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Eu só quero mesmo é descansar....


Ai que sonho.

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Às vezes parece que a gente é que é culpada, a gente é que agiu errado, a gente é que é a estranha no ninho. Ainda bem que isso é só às vezes e que se convencer da verdade e do contrário não é difícil nem demora. :)

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Um salve para o sábio inventor da frase: ``E os incomodados que se retirem.``

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Expectativa... torçam, colegas, torçam!

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Conversa de MSN:

Laerte: Bom dia.
Eu: bom dia! o msn daqui é jurássico, não repara a demora.
Laerte: Sem problemas, vc costuma demorar mesmo normalmente. Eu já sou vacinado.
Eu: hehehe, a sua compreensão só faz com q o meu amor aumente, vc sabe, neah?
Laerte: Graças a Alá misericordioso. Já o meu não aumenta. Não há espaço.

AMO!

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Sigamos...

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Gostei disso. :P

2007/09/11

11/09 - Tudo novo de novo

"Mas hoje eu vou gritar pra todo mundo ouvir minha felicidade.
Hoje todo mundo vai ouvir o quanto é bom ser feliz de verdade.
Correr entre campos da minha imaginação.
Com sorrisos soltos e brilho no olhar.
Mas hoje eu vou gritar.
Correr por aí sem hora pra voltar.
Porque a noite só acaba quando o sol vem se mostrar."

Renata Osti

Meu aniversário.
Na foto, eu (esquerda) e minha amiga Raquel. Estávamos em Florianópolis nesse dia, eu com 4 blusas, e 6 graus lá fora. Brrrrrr...

Ganhei da Ana Luisa (minha sobrinha) um sorriso inocente e sincero, e um abraço apertado, foi maravilhoso. Nada como o sorriso e o abraço de uma criança para nos fazer pensar em algumas coisas esquecidas.
Ganhei um template lindo, dessa menina linda.
E ganhei da vida esse sorriso novo, junto com palavras de um futuro muito bom.

:D

2007/08/25

Do Desistir

Rose - Je résiste...

Desistir é ser metade, incompleto, pequeno. É viver só uma parte do dia, e abrir mão do resto. Desistir é desaprender a se reiventar, se reerguer, se reconstruir. É acreditar na mentira do pensamento de que não vai mudar, não vai dar certo, acabou, ponto final. Desistir é dizer adeus a si mesmo, é abandonar o coração numa esquina chuvosa e fria, depois seguir sem olhar para trás, e não sentir nada por isso. Desistir é diminuir cada dia um pouco mais, até viver prostrado, recolhido e miúdo. E, desistindo, a gente não se enxerga, não sorri, não é, não vive. E vai se acostumando a desistir mais uma vez e sempre. Daí quando estamos quase sucumbindo, vem ela, a vida, e nos convence de que temos que seguir a despeito de, não importa o que aconteça, lutando contra aquilo que a gente quase tem certeza de estar morto.

2007/08/17

Nimi e Maia

Augusto Peixoto - Innocently in Love

``Nimi era um menino um pouco descuidado e andava quase sempre com o nariz escorrendo. Além disso, entre os salientes dentes da frente havia um belo intervalo. As crianças chamavam esse espaço de poço de lixo. Todas as manhãs Nimi chegava à sala e começava a contar um novo sonho, e todas as manhãs diziam-lhe chega, já ficou chato, fecha o teu poço de lixo. Mas Nimi, em vez de ficar ofendido, participava do deboche. Engolia o catarro, e começava de repente a chamar a si mesmo (...) pelos apelidos pejorativos que as crianças lhe deram: Poço de Lixo, Sonhador, Sapato-Ouriço. Maia, a filha de Lília, a padeira, que sentava atrás dele na sala, cochichava algumas vezes: Nimi. Escuta. Você pode sonhar com o que quiser...``

Amos Oz - De repente, nas profundezas do bosque.

:)

2007/08/07

Do estar longe e só, e pensar maior ou Relatos de mais uma viagem

Numa daquelas praias, ou pores do sol, foi que pude perceber o quão pequenas são as coisas que acreditei serem maiores.


O medo lá é o grão de areia, a indiferença uma gota e, a cicatriz que trago no peito, que eu pensei não caber mais em mim, são as pedras. Ínfimos perto do que eu pensava que fossem.
Lá, longe de tudo e de todos, distante do que me sufoca, o mundo é tão maior, o meu sorriso é tão mais brando, o meu pensamento tão diferente...

E eu só tive mais certeza de que o que tem que fazer sentido não é o coração e as palavras dos outros que, muitas vezes, mentem, fingem, passam uma vontade desesperadora de ser feliz, acabando por deixar transparecer a tristeza interior. O que tem que ser o nosso norte são os sentimentos verdadeiros e sinceros, que re-nascem a cada manhã. E cada um sabe quais são.

Às vezes nem é preciso estar tão longe assim, basta sair para admirar uma paisagem diferente. Ou melhor, muitas vezes o ``estar longe``resume-se a fechar a porta do quarto. Daí tudo começa de novo a fazer sentido.

Às vezes, só longe e sozinho é que a gente consegue medir o tamanho que somos, as coisas que temos, e a dimensão daquilo que podemos vir a ser.

E um singelo, porém verdadeiro sorriso na face, é capaz de traduzir essa amplidão. Ou não.

Fotos tiradas por mim e por Maria Carolina. :)

2007/08/01

O Teatro Mágico


Eu na praia da Joaquina - Florianópolis - SC foto by Juliana Nina
``Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior.``
Pena - Fernando Anitelli/Maíra Viana

E como sinto.
:)

2007/07/17

Dia Versus Noite Versus Eu Versus Versus Versus

Marília Campos - Intimacy
Todo mundo tem um cantinho decorado de novidades... Às vezes, é tão melhor ficar lá.

O pôr-do-sol não é simplesmente o adeus do dia e a saudação da noite. Não é a tristeza nos olhos da alegria e a alegria nos olhos de mais uma noite que pode ser triste. A noite é a oportunidade que a vida nos dá para deixarmos de olhar para a imensidão da estrada que estamos percorrendo, e nos permitir lembrar um pouco do que esquecemos. E, nesse recolhimento, muitas vezes nos vêm à memória aqueles primeiros sentimentos: de saudade, de arrependimento, de carinho... e de amor. Ou de indiferença, de amargura, de dor... e de solidão. Daí pensamos tudo isso ser muito estranho, essa dualidade, e nos aninhamos, buscando um sossego que parece tardar...

É aí que procuro aquele canto que fica entre a alma e o coração, e ali me aquieto. Não que seja um escape, onde o medo de enfrentar situações fale mais alto. Ele é apenas um lugar bonito, de recolhimento, de reflexão, e de aprendizado. Lá, eu avisto um lugar formoso e calmo, onde, por detrás das pálpebras que esperam pelo meu sonho, apesar de tudo, eu me sinto completa.

2007/07/05

Páginas Viradas

Kiki - Instinto de Sobrevivência

Uma página virada na vida não é aquela pela qual você nunca volta a ler, nunca sente saudades. Mas é aquela que você sabe que não pode ser definitivamente um lugar estanque, onde só ficam escritas as palavras não ditas, ou as dores, ou as faltas, e você folheia sem pressa e chorando de alegria ou de tristeza. Quer voltar a ler? Volta, mas não fique nela ao ponto de parar a vida por causa disso. Uma página virada é justamente aquela que posso até me lembrar, mas que também é o ponto de partida para uma em branco, esperando pelo colorido de um mundo que pode não existir na realidade, mas que posso concretizá-lo através dos meus sonhos e do meu pensar diferente.

Páginas viradas, vida que recomeça. De novo, de novo, de novo e sempre nunca igual.

2007/06/27

Surpresas

X.Maya - Centro da Vida

A vida me surpreende nas esquinas, nas pequenas coisas, justamente naqueles momentos em que penso que de mim não se lembra mais, que de mim perdeu-se. Ela me manda flores em palavras, atitudes, e faz brotar um tímido, porém sincero sorriso na face. Sorriso que, por vezes, quer esvair-se, mas ela não deixa (ainda bem).

Gosto dessas coisas instantâneas, de não saber onde, quando e como vou poder admirar sua capacidade de me mostrar, num canto qualquer, não orgulhos, não dualidades... Mas cumplicidades, reciprocidades e alegrias, ao entender que o vazio pode ser sim um espaço repleto de sentimentos bonitos e, as frestas, lugares de onde brotam flores e novidades. Vazio dentro de mim, guardado e escondido, onde ela sempre soube me encontrar, e onde eu tenho certeza de que vou sentir paz.

2007/06/18

Meninas

Marília Campos - Peek-a-boo

Vinte-e-quatro são as horas de indecisões e arrependimentos que permeiam o coração um tanto duvidoso quanto ao vindouro. Elas se esvaem como areia entre os dedos e eu pareço ficar à mercê de ansiedades e medos. Não lembro mais daquela menina peralta que se escondia por entre os becos da mente, brincando com questionamentos, e me fazendo sorrir. não.lembro. E fico tentando procurá-la, principalmente por entre as frestas do dia. da noite. da madrugada. Não a encontro, parece ter se esquecido do lugar a qual pertence. Perdeu-se. Mas acho que até entendo, pois dei lugar à ociosidade do talvez às suas certezas de felicidade, ainda que momentâneas. mas.que.me.faziam.bem.

InConStânCiaS.

À memória, só vem mesmo aquela menina zangada que, (mesmo) depois de me dizer tantas coisas, questionando, incomodando, fazendo doer a ponto de me convencer do contrário, insiste em não adormecer. Ao menos uma, dessas vinte-e-quatro, que são as horas.

2007/06/10

Um dia

Desconheço Autoria

Então tu me chegarias manso e absorto, como quem deseja um pedaço do meu coração para tomar de conta. Tu me chegarias menino e ingênuo, querendo descobrir algo de mim que há muito desconheces. Eu te pediria para sentares ao meu lado, beijaria os teus lábios e sussurraria aos teus ouvidos uma palavra que te trouxesse paz. Que sabe amor, ou compreensão, ou cumplicidade. Tu não me entenderias por completo e eu, sem temer que deixasses, que fosses, tomaria a tua mão e entrelaçaria os teus dedos nos meus. Tu te acalmarias e me escutaria, como sempre o fizeste, mais uma vez. E eu começaria a te mostrar, uma a uma, as minhas mais profundas cicatrizes.

2007/05/31

Daí

Geoffroy Demarquet

Daí que chega uma hora em que nada mais cabe em nós, senão o vazio de dias mal vividos, de horas mal aproveitadas. Daí que resta o cansaço, a desesperança e a frustração. Daí que isso tudo já passou, e não há mais como re-fazer, re-pensar, re-viver. Res. Res. Res. O que foi já era, acabou, já deu. Daí que para essas horas de desassossego não resta mais nada senão agarrar-se às certezas e aos desejos de que da próxima vez vai ser diferente, vai ser como queremos, ou próximo disso. Daí que basta apenas um pequeno momento de silêncio para descobrir que a dúvida e o medo de pensar o avesso da derrota nada mais eram do que estranhos passageiros nos acenando da esquina da mente, tentando achegar-se a nós para nos abraçar, com olhos de solidão.

Daí que cabe a cada um aceitar o beijo amargo da indiferença e o abraço oco do arrependimento, ou não. É uma escolha.

Eu escolhi continuar. E você?

2007/05/10

Antes do fim

Desconheço Autoria

Antes mesmo que a aurora tarde e a minha pele já não pressinta o que a noite traz, quero ser essa de mim que há muito não é e desconheço. Quero poder deserdar as dúvidas e plantar um tanto de sementes que trago no bolso do casaco: de desejos, de futuros e de amor. Antes mesmo de pensar em brotos, que eu possa acariciá-las junto ao peito e regá-las com uma ultima lágrima do que até hoje não pude ser talvez por não saber. E que, até crescerem, quem sabe antes mesmo da próxima estação, eu junto me reinaugure, sonhando de novo e de novo, adormecida debaixo da sombra do secreto.