2006/10/13
A culpa nunca foi do destino...
2006/09/16
Nando Reis
2006/09/11
Festa!

J.R.Garcia
Hoje é o meu aniversário.
Estou feliz. Bem mais feliz do que no aniversário do ano passado.
Sei lá. Hoje eu não apenas acho e desejo ser uma pessoa melhor, como vivo isso.
E, que nesses próximos 365, que eu me torne melhor ainda, amadurecendo e mirando os meus sonhos não tão distantes quanto um dia eu pensei que eles fossem. Eles estão perto, muito perto de mim...
O meu desejo, então, é que eu viva a materialização de tudo isso. E que, a cada dia, eu me reinvente, para descobrir, sempre sobre uma nova perspectiva, o que significa viver.
:)
2006/08/27
Sono
Desconheço Autoria
Ele se revira todo, e nenhum som é capaz de despertá-lo desse sono profundo, como se estivesse muito cansado do dia, das horas que se demoraram, da vida... Então, ele simplesmente chega, olha-me de soslaio e deita-se para, daqui a pouco, (acho que) começar a ser permeado por sonhos muito loucos, de forma que se debate e fala sozinho. Não sei se é comigo que sonha, ou se com os seus fracassos e solidão.
Mas ele não está sozinho, ele tem a mim, que ouço e fito-o demoradamente, tentando descobrir de que é feito, e o quanto sou feita disso, sendo sua matéria boa parte do meu querer-ser. Então, permaneço quieta, já que não há lembranças, ou sonhos, ou qualquer coisa que o faça sair desse lugar que parece ser agora um bom espaço para o seu descanso diário.
Eu queria que fosse o provável, mas é o impossível que dorme na minha cama, debaixo de lençóis brancos. E, por acaso, deveria eu ter coragem para acordá-lo? E, por acaso, tu terias?
2006/08/13
Deixar para Desabrochar
Desconheço Autoria
2006/07/25
Cais

Gonçalo Pereira - Cais da Tranqüilidade
Sentar-se e observar o que me cerca. Desde o horizonte incerto ao céu que se revela sobre minha cabeça. Sorrir para todas essas simplicidades singulares. E, desse olhar, resgatar todos os meus...... –res. Restituir. Rever. Reinterpretar. Recriar. Renascer. Até que, de tanto olhar e sentir, não seja mais a mesma que primeiramente achegou-se a esse cais de possibilidades. Talvez eu seja agora a brisa que sopra e faz frio. Ou então a água que, pairada sobre as margens, des-adormece do peito os prefácios da ternura, dos sonhos e do amor.
2006/07/18
Abismo de -ins
Mas agora ela me coloca à beira de um abismo que transborda de dúvidas e impossibilidades. Justamente eu, que sempre a questiono, me vejo diante de suas interrogações, inconstâncias, -ins, na iminência de despencar...
A saudade, a falta e tudo aquilo que não pude viver, por orgulho ou fraqueza, ficam sendo o que compõe esse precipício. E ele tenta, com seus nãos e por quês me convencer do contrário, de que maiores são os desejos insatisfeitos do que o esboço de um sorriso. Não sei o que deseja. Mas, de qualquer forma, deixo-o, gritando suas inseguranças e contradições enquanto salto no escuro.
Quem sabe assim não Nos. Me. encontre.
2006/06/18
O Depois

José Moreira - Brussels Garden
Depois do tempo de tempestades, de sofreguidão e abandono, vem sempre um intermédio, onde a gente descobre vida no que antes achava estar morto. Conseguimos, finalmente, ver a flor, ainda que encharcada pela chuva, desabrochando. Ou o pássaro, ainda molhado e com frio, piar. E vai reconstruindo um mundo de cores que há tempos não víamos...
Um tempo de novidades, em que a vida vai ensinando novamente os significados dos sentimentos esquecidos, juntando os cacos e re-descobrindo passos.
No período de chuva e medo. E antes do sol e do sorriso. Nesse espaço, em que o sonho e a memória acham uma brecha pala falarem mais alto, ainda que sejamos incapazes de traduzi-los para a realidade... É aí que está, mesclada de solidão e saudade, com plenitude e amor: A poesia. A felicidade. O sorriso.
Nós e nós mesmos.
2006/06/06
reS oãN = Não Ser
2006/05/27
Ocasiões

Amanda Keeys - At the gate
E quem disse que não há cor naqueles sonhos que você nunca quis sonhar? Elas sempre vão e voltam. E, às vezes, até te tocam, mas você não sabe. Deseja mesmo é acordar e ficar observando as incertezas passando pela janela. Ou a vida das cores. Ou as cores da vida.
VcIoDrA
E assiste aquele sonho se perder. Mas se tudo pode ser uma escolha, então eu fico com aquelas asas que passam pela janela, e nunca se cansam de vagar, hipnotizadas com a multiplicidade de possibilidades. Encantadas. Extasiadas. Perdidas. Borboleteando por aí...
2006/05/08
Eu: fresta

J.l. - Dentro ou fora
A madrugada, e eu sou a fresta da janela que deixa passar o vento gélido de uma noite de faltas, saudades, arrependimentos, desejos... Sou a fresta, e permito que esse sopro faça esparramar as folhas rabiscadas, abrir os livros não lidos, os velhos, os novos. E os meus olhos agora desejam alguma claridade, uma nesga de luz não forte, não fraca, suficiente apenas, para poder alcançar o limite entre a realidade e os meus sonhos. Mas eu sou a fresta, sou essa abertura única e incômoda das horas que se demoram. E os meus olhos são só o desejo de que o astro diga adeus às estrelas, aos românticos, aos loucos, e deixe que o azul de mais uma luz bonita se adentre ao meu espaço que não cabe mais em si de mudanças. São poucos os minutos da manhã e eu me debruço sobre esse dia que não nasceu como queria. Mas ele amanheceu, eu esqueci ?
2006/04/25
Dores de amores indolores

Maria São Miguel - Na sombra de um beijo
- É verdade que os amores eternos nunca morrem?
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você. Mas ela estará mais perto do que você pensa.
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte.
Por Fábio Fabrício Fabretti
Porque às vezes gosto de pensar na eternidade daquilo que sei ser efêmero, mas me preenche.
2006/04/12
Últimas, penúltimas, antepenúltimas...
2006/04/02
En-tar-de-cer

Paulo César - Tudo imenso... sem nós
Tarde que se despede, e na boca um gosto de mudanças, de esperas. Ela se esvai, enquanto procuro qualquer lugar para refletir, até que encontre algum sentido para essas questões que agora brotam infindas da areia, do coração, dos espaços resguardados de nuncas e senões.
Lugar de se ficar sozinha, não para consentir com a solidão, mas para descobrir quais são mesmo as cores dos olhos da felicidade, do tempo de bonança, do sorriso para as simplicidades esquecidas...
A noite começa e temo-a com e seus mistérios, dúvidas e ansiedades. Ela parece desejar que não pertença a essa imensidão de descobertas que podem, por vezes, ferir. Mas, mesmo inabitável, escura, e distante da ordinariedade dos meus dias mais disformes, forço-me a anseios e quereres de permanecer.
2006/03/24
Surpreender-se por não saber (se)

X. Maya - No outono
Hoje eu sinto como se a minha vida fosse a de uma menininha de 5 anos parada no tempo, incerta sobre muitas coisas. Menina essa que, ao esperar ansiosamente pelo outono, certa de uma brisa leve, é surpreendida pelo inverno, com sua chuva, frio e desesperanças, enquanto brincava na porta de casa.
E eu às vezes penso que, em breve, tudo vai mudar. Mas o inverno é uma longa estação. Então eu corro, mas a correnteza é forte, então eu ando, mas o vento me impede a visão, então eu paro e espero.
Não há chaves, não há alguém. Há apenas o inverno e eu, na porta de casa.
ps: "Not happy, not sad, just breathing slowly..." (by Diana)
2006/03/19
D´alma

João Godinho - Pétala Rebelde
Quando os sentimentos começam a ser deserdados, eu fico olhando para dentro de mim, vendo o que restou, como se fossem as migalhas de uma fome insaciada e aflitiva. E há dias em que tento reconfigura-los, no desejo de que voltem a viver comigo, a me pertencer. Mas esses são dias de extrema confusão, junto com lágrimas, e sorrisos, e lembranças...
Mas, mesmo eu sabendo estar de pé, o coração permanece ajoelhado diante das dúvidas da alma há horas inquieta. E a vida acaba estagnada a esses momentos de imobilidades.
E sim, existem outros dias, em que os sentimentos agem de outras formas, mas agora estou falando daqueles em que eles ficam nessa dualidade, tentando se conformar com esses sentimentos poucos, e agindo dessa forma desestruturada e sem sentido, enquanto eu tento me convencer do meu avesso.
2006/03/09
O Abstrato Concretizado (se possível for)

Sérgio Redondo - Down Under
Interior do Edifício Casa da Música, em Portugal.
Do Lat. abstractu
adj.,
que designa uma qualidade separada do objeto a que pertence;
distraído;
contemplativo;
absorto;
alheado;
preocupado;
pop.,
de compreensão difícil;
obscuro, vago, abstruso (texto);
s. m.,
o que se considera existente só no domínio das idéias e sem base material;
Arte,
diz-se da manifestação artística de conteúdo e forma alheios a qualquer representação figurativa, que é característica de diferentes épocas, culturas, ou correntes estéticas, e transcende as aparências exteriores da realidade.
O abstrato me fascina. Porque ele pode dizer muitas coisas, dependendo de como é visto.
Os meus sentimentos hoje estão dessa forma, sem forma. Mas existem, assim como na foto.
Abstratos, até que algo os traga à realidade dos meus desejos até então pairados numa atmosfera in-constante de in-certezas. Onde são muitas as palavras e sonhos, mas pouquíssimos com norte, não cabendo, portanto, naqueles outros vãos que transbordam de continuidades.
2006/02/27
Adriana Calcanhoto
2006/02/16
Sobre lidar com lembranças
Leila Lopes

Concordo mesmo com tudo isso. Se as lembranças deveriam ser o que de melhor habita em nós, no sentido de fazer com que um sorriso brote da face, por ter vivido algo da melhor maneira, de que vale desenterrar aquelas memórias de dor, lágrimas e faltas do que não se teve?
Tudo bem que nem sempre o vivemos intensamente, mas valeu a tentativa, o esforço... agora, ficar remexendo uma ferida de perda ainda mal cicatrizada, vale mesmo a pena? Sei que nos completa, ainda que momentaneamente, aquela autoflagelação consentida, mas, e o depois? E o incômodo até que volte a se recuperar?
Não sei, já cultivei muitas coisas doloridas, e já as reguei com muitas lágrimas. Mas hoje, prefiro acreditar e viver esperando que desabrochem apenas aquelas que me acrescentem esperança, que me encham os olhos, e o coração.
E as outras, que só machucam, não me fazem bem e me impedem de viver o melhor da vida, prefiro deixar que sejam levadas. Pelo vento... pelo tempo... por qualquer coisa.
Imagens de Paulo Medeiros.
O texto todo da Leila, aqui.
2006/02/07
Da série: E você, o que acha ?

Desconheço autoria
"Giles e Isa Olivier, Clarissa e Richard Dalloway, Mr e Mrs. Ramsay, nenhum dos três casais alcança a união total. Exceptuado o amor físico que não passa da satisfação do instinto de procriação, não pode haver amor feliz.
Desemparelhados, solitários, o homem e a mulher perseguem isoladamente o seu sonho sem se reunirem de outro modo que não apenas entre os actos, e defrontando-se para sempre um ao outro.
Longe de quebrar a solidão fundamental do ser, o casamento torna a do outro maior. É uma falsa saída, uma porta enganadora para a liberdade, e o mistério continua total: «Ali está um quarto, acolá outro», ali a mulher com as suas necessidades, os seus desejos, e acolá o homem, não inimigos, mas estranhos semelhantes a dois círculos que nunca podem coincidir por completo.
Seja o que for o amor, nunca se chegará a formar um único ser indivisível e imenso, nunca há senão dois indivíduos, pequenos e separados."
Virginia Woolf (Relógio d'Água), Monique Nathan (pág. 54)
Peguei daqui.
Sua vez agora. :)







