2011/06/05
O tropeço numa caixa
2011/04/10
Igualmente diferente
Dia que amanhece nublado. O bocejo do cão amigo. O cantar de pássaros. O gato lambe seus pelos escuros. O som da chuva. O jornaleiro que anda solitário. Pessoas apressadas ao trabalho. Confusão nas folhas da árvore úmida em frente à janela. A brisa que infiltra sobre os poros, dia frio. As perguntas que também acordam, e a necessidade de responde-las. Dúvidas que me cercam logo quando desperto. Certezas que me preenchem ao findar do dia. Dia corriqueiro, preguiça em levantar. A rotina que imprime impaciência. O bom dia. O sorriso que não vem. A dúvida no olhar. O telefone calado. O coração que grita. Um pensamento qualquer de que tudo isso é transitório e apático..
Tudo aparentemente imutável e eu aqui, com uma vontade de ser preenchida de sonho e de verdade, de cores de menina e de mulher, de amor e de singularidades.
Estou inundada de vésperas.
2011/03/20
Sobre a sensibilidade
Ando sensível, e não sei se isso é bom. Ando valorizando as pequenas coisas do dia, ando com uma sede imensa de aprender coisas novas, conhecer pessoas diferentes. Digo sensível porque as coisas mais simples me dão uma lição. Curto cada conversa com os amigos, com os novos conhecidos. Tornei-me mais observadora, mais crítica (mais do que usualmente sou, e não é pouco). Comecei a querer ver mais sentido nas coisas, a entender o que eu pensava que nunca fosse entender, sobre acontecimentos da vida. Comecei a pensar e a me preocupar mais comigo, com meus sonhos. Sensível, não carente, porque tem um abismo entre um e outro. Passei a querer concretizar o que sempre pulsou por dentro, independente de quem esteja ao meu lado. Não é ser individualista, mas tenho que primeiro ser feliz eu e eu mesma, para depois poder partilhar isso com o outro. Não preciso mostrar conquistas para ninguém, porque elas são internas, e poucos são os que têm sensibilidade para perceber. Cada um é que sabe o que um dia já foi, e em quê conseguiu se tornar ao longo da caminhada.
Ando sensível e digo que não sei se isso é bom porque quero que as pessoas ao meu redor também sintam isso. Quero que pensem grande, sonhem coisas impossíveis hoje, cresçam, porém percebo que infelizmente são poucas as que estão dispostas a isso. E isso me deixa impaciente. Por que são assim? Por que são médias? Perguntas que, certamente, não cabe a eu responder. Não sei se é bom querer contaminar as pessoas com a minha sensibilidade. Como convencê-las de que as coisas simples têm um valor imenso? Será que deveria mesmo me preocupar sendo que elas simplesmente não querem? Às vezes só a vida para ensinar.
Andar sensível assim ultimamente tem me ensinado muitas coisas, tem me feito sonhar um sonho mais bonito e com um final diferente. É libertador ter me tornado isso. Sei que é uma fase, que vai passar, mas, enquanto estou nessa maré, quero extrair dela o máximo, o todo, para depois seguir mais leve e com um olhar distinto sobre o que há de vir. São esses momentos de sensibilidade que fazem a vida e o ato de existir, sonhar, partilhar, crescer, e tantos outros verbos, motivos e por quês valerem a pena. E eu estou muito feliz com tudo isso.
Uma felicidade sincera.
2011/03/02
Quando o amor chegar
2011/02/22
Do amanhecer
2011/02/18
2011/02/09
Novidades
FCor - Olá mourisca (2) - www.olhares.com2011/01/20
2010/11/09
Sobre um querer
Diego Freitas - Unopen (olhares.com)2010/11/06
Poesia - Reynaldo Jardim
Reynaldo Jardim
O arquiteto é o engenheiro
da beleza funcional
que tem, como medida
padrão, a vital dimensão humana.
A pássara arquiteta o
ovo em sua forma exemplar
e limpa e pura, portanto,
bela. A lagarta arquiteta
o casulo, onde nascerá
a vida colorida, esvoaçando
seus azuis. O cupim arquiteta,
enquanto constrói seu
megalítico edifício com
milhares de compartimentos
e labirintos infindáveis, intricados,
que só ele decifra, percorre,
corre e ama.
A aranha-arquiteta teia, o
aranhol, moradia e armadilha
geometricamente desenhadas,
resistentes a chuvas, vendaval,
maldade humana.
Deus, arquiteto e engenheiro, em
seis dias arquitetou e construiu o
universo que, apesar de muito
antigo, ainda funciona
razoavelmente bem.
O homem arquiteta pontes,
monumentos, casas de morar e
trabalhar e morrer e orar.
Os outros animais, rastejantes
e voantes, mantêm o mesmo
estilo sempre funcional e belo.
O homem ainda não encontrou
o abrigo ideal para o
sonho e a vida, apesar de
inventar, a cada dia, formas
diversas para ocultar o
desassossego, tumulto e desespero.
2010/11/02
Da dor que ficou
2010/10/06
A pena - que é o desejo -

Tecidas as horas de mais um dia, eu sou um corpo que despe-se das monotonias e rotinas e queda sobre um lençol emaranhado. quieta. permaneço. um desejo, como pena, balança no ar, não sabendo para onde vai, e tampouco se importa com isso. não há mais. vai para lá e para cá e o meu corpo é um peso do fim do dia. repleto de faltas. de medos. de dúvidas...
Suspenso no ar, percebo que procura um lugar para se recostar. mas o meu corpo é o peso. o peso e o sopro de quem cansou-se das horas. não há mais. uma lágrima se forma no canto do olho e escorre sozinha e desprendida até o travesseiro. já não sei se me importo. no corpo e no peso e na solidão desse momento, muita coisa é efêmera. talvez essa lágrima quisesse definir algo, mas é apenas mais um desses pesos. o meu corpo, as horas, o silêncio e uma lágrima. não há mais. percebo que a suavidade do desejo, a pena, escolhe cair perto de mim, ao lado do travesseiro. lentamente levo a mão direita até ela e agarro-a com uma força de quem não quer deixar se esvair essa ponta de algo que pode reascender qualquer chama. agora somos nós: o meu corpo, as horas, o silêncio, a lágrima incompreendida e um desejo capturado que, refém dos meus dedos, quer rende-se, na ansiedade de transformar -se logo em ternura, em palavra, em amor.
e inundar.me.
2010/09/14
2010/09/11
26 anos

Tapeceiro, não se engana
Sabe o fim desde o começo,
Traça voltas, mil desvios sem perder o fio
Minha vida é obra de tapeçaria,
É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes
Se você olha do avesso,
Nem imagina o desfecho
No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem
Quando se vê pelo lado certo,
Muda-se logo a expressão do rosto...
.
.
Trecho de O Tapeceiro - Composição: Stênio Március
=)
Foto: desconheço autoria
2010/08/07
Até quando?

O discurso do `` é difícil pra mim``, seja em relação a trabalho, mudanças, sentimentos, sonhos, pode até parecer interessante, mas também um pouco cínico. Contenta-se com menos do que se pode. Já que é difícil, vou ficar com esse trabalho mesmo, esse amor mesmo, essa vida rotineira e desgastante mesmo. É mais fácil dizer que é difícil do que levantar e ir tentar. Não que não devêssemos nos ajustar a situações, mas afirmar sempre que é tudo tão difícil soa um pouco cômodo. O que fazer para parecer ser fácil, ou menos difícil? Mudar a forma de pensar, querer sentir, mover-se contra a inércia que insiste em nos deixar estagnados vendo a vida passar? Não sei, eu também costumo me esquivar de tantas responsabilidades e desejos simplesmente porque `` é difícil pra mim.`` Não estou aqui para sustentar um discurso de auto ajuda : tente, vá, lute, você vai vencer! Seria muita hipocrisia, mas parei pra pensar nessa frase de ser tudo sempre tão difícil, e eu continuar dizendo isso pra mim, pro meu coração e pro mundo... Daí a vida vai correndo (e não espera), estações vem e vão, amores idem, oportunidades, e eu acabo me vendo como essa estátua aí, estagnada, imóvel, e cheia de ``dificuldades``, segurando o que a vida tem de melhor. A gente vira uma casca cheia de vontades e desejos por dentro, mas esses não afloram devido a nossa des-esperança de que talvez possa dar certo, mas é melhor nem tentar, é tããao difícil!
Mas vem cá, é fácil pra quem?
(e ser tudo difícil cansa...)
2010/07/28
2010/07/10
E se eu te pedisse pra tentar entender?

Desculpa essa falta de jeito, essa falta da palavra, da presença, mas é que, quando o sol brilha um pouco mais forte lá fora, anunciando um dia que vai ser muito bom, essa luz ainda fere um pouco as vistas.
2010/06/15
2010/05/04
De súbito
De repente um sentimento de despertencer, como se um barco que se desvencilha da âncora, como se uma pétala que explode do broto, como se a asa do filhote que se abre, como se a gota que cai da ponta da folha, como se o velho que se livra da bengala, como se a lágrima que se despede dos olhos... de repente esse sentir-se ímpar, sem saber como, o quê ou para onde, como se uma voz que chamasse pelo meu nome ecoasse distante, num clarão que já não cabe e rompe as frestas do coração e da alma, que só querem sentir-se completos.
2010/04/05
Duas solidões
Duas solidões são passantes que se entreolham, mas não se vêem exatamente nos olhos do outro. Vêem vultos, rabiscos, mas não a si. Mas, mesmo assim, sorriem, querendo transmitir o sorriso que pertence à outra pessoa. E eles sabem disso.
Duas solidões andam de mãos entrelaçadas, mas a mão é fria, o coração é distante. Mas, mesmo assim, trocam palavras bonitas, ainda que essas palavras tenham um destinatário, no fundo do peito, diferente.
Duas solidões brincam, mas a brincadeira, na realidade, não tem graça.
Duas solidões dizem palavras tocantes, e se forçam a acreditar nelas, mesmo sabendo que aquilo não o toca da mesma forma que tocaria se fosse dito por aquele ao qual pertencem realmente. E eles também sabem disso.
Elas se enganam... Duas solidões que insistem em se encontrar, em estar perto, mas só fazem é se afastar, e se perder de si.
E existem tantas solidões por aí, insistindo inutilmente em ser felicidade... não é?
Eu desejo que você nunca encontre a sua solidão gêmea ou muito parecida, como eu já encontrei e convivi. Que você nunca permita se enganar desse modo. Que realmente espere por quem ama. Afinal, ser solidão é acabar como aquele pássaro que, preso na gaiola há tanto tempo, e já acostumado a viver assim, desaprendeu a cantar. E eu não quero nunca que você desaprenda a amar.
Nunca.




