2006/07/18

Abismo de -ins

Válter Ferreira - aGota
A memória fica entoando ausências, arrependimentos e aquilo que me impossibilitou um vôo mais alto. Mas eu sorrio para ela, porque pude vencer mais uma das barreiras que se colocavam diante de mim. Venci, porque me sinto lua crescente, nova, ou qualquer coisa maior que minguante e menor do que cheia. E isso me faz bem, mesmo sabendo que poderia ter feito melhor.

Mas agora ela me coloca à beira de um abismo que transborda de dúvidas e impossibilidades. Justamente eu, que sempre a questiono, me vejo diante de suas interrogações, inconstâncias, -ins, na iminência de despencar...

A saudade, a falta e tudo aquilo que não pude viver, por orgulho ou fraqueza, ficam sendo o que compõe esse precipício. E ele tenta, com seus nãos e por quês me convencer do contrário, de que maiores são os desejos insatisfeitos do que o esboço de um sorriso. Não sei o que deseja. Mas, de qualquer forma, deixo-o, gritando suas inseguranças e contradições enquanto salto no escuro.

Quem sabe assim não Nos. Me. encontre.

2006/06/18

O Depois


José Moreira - Brussels Garden

Depois do tempo de tempestades, de sofreguidão e abandono, vem sempre um intermédio, onde a gente descobre vida no que antes achava estar morto. Conseguimos, finalmente, ver a flor, ainda que encharcada pela chuva, desabrochando. Ou o pássaro, ainda molhado e com frio, piar. E vai reconstruindo um mundo de cores que há tempos não víamos...

Um tempo de novidades, em que a vida vai ensinando novamente os significados dos sentimentos esquecidos, juntando os cacos e re-descobrindo passos.

No período de chuva e medo. E antes do sol e do sorriso. Nesse espaço, em que o sonho e a memória acham uma brecha pala falarem mais alto, ainda que sejamos incapazes de traduzi-los para a realidade... É aí que está, mesclada de solidão e saudade, com plenitude e amor: A poesia. A felicidade. O sorriso.

Nós e nós mesmos.

2006/06/06

reS oãN = Não Ser


Jorge Garcia - Tu e tu

Não sei mais se sou o mar,
pelos sonhos ilimitados.

Ou se sou o grão de areia,
pela pequenez em bastar-se.

Ou se sou a concha,
pelo desejo de se perder no tempo de um amor.

Ou se sou a sombra,
pelo silêncio.

2006/05/27

Ocasiões


Amanda Keeys - At the gate

E quem disse que não há cor naqueles sonhos que você nunca quis sonhar? Elas sempre vão e voltam. E, às vezes, até te tocam, mas você não sabe. Deseja mesmo é acordar e ficar observando as incertezas passando pela janela. Ou a vida das cores. Ou as cores da vida.

VcIoDrA

E assiste aquele sonho se perder. Mas se tudo pode ser uma escolha, então eu fico com aquelas asas que passam pela janela, e nunca se cansam de vagar, hipnotizadas com a multiplicidade de possibilidades. Encantadas. Extasiadas. Perdidas. Borboleteando por aí...

2006/05/08

Eu: fresta


J.l. - Dentro ou fora

A madrugada, e eu sou a fresta da janela que deixa passar o vento gélido de uma noite de faltas, saudades, arrependimentos, desejos... Sou a fresta, e permito que esse sopro faça esparramar as folhas rabiscadas, abrir os livros não lidos, os velhos, os novos. E os meus olhos agora desejam alguma claridade, uma nesga de luz não forte, não fraca, suficiente apenas, para poder alcançar o limite entre a realidade e os meus sonhos. Mas eu sou a fresta, sou essa abertura única e incômoda das horas que se demoram. E os meus olhos são só o desejo de que o astro diga adeus às estrelas, aos românticos, aos loucos, e deixe que o azul de mais uma luz bonita se adentre ao meu espaço que não cabe mais em si de mudanças. São poucos os minutos da manhã e eu me debruço sobre esse dia que não nasceu como queria. Mas ele amanheceu, eu esqueci ?

2006/04/25

Dores de amores indolores


Maria São Miguel - Na sombra de um beijo

- É verdade que os amores eternos nunca morrem?
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você. Mas ela estará mais perto do que você pensa.
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte.

Por Fábio Fabrício Fabretti

Porque às vezes gosto de pensar na eternidade daquilo que sei ser efêmero, mas me preenche.

2006/04/12

Últimas, penúltimas, antepenúltimas...


Antônio Manuel Pinto da Silva - Só

Ultimamente eu prefiro pensar que não há lacunas, tampouco preenchimentos, nem sincronia, nem diacronia, enfim, não há nada morando em mim.
.

E você, no que tem pensado?

2006/04/02

En-tar-de-cer


Paulo César - Tudo imenso... sem nós

Tarde que se despede, e na boca um gosto de mudanças, de esperas. Ela se esvai, enquanto procuro qualquer lugar para refletir, até que encontre algum sentido para essas questões que agora brotam infindas da areia, do coração, dos espaços resguardados de nuncas e senões.

Lugar de se ficar sozinha, não para consentir com a solidão, mas para descobrir quais são mesmo as cores dos olhos da felicidade, do tempo de bonança, do sorriso para as simplicidades esquecidas...

A noite começa e temo-a com e seus mistérios, dúvidas e ansiedades. Ela parece desejar que não pertença a essa imensidão de descobertas que podem, por vezes, ferir. Mas, mesmo inabitável, escura, e distante da ordinariedade dos meus dias mais disformes, forço-me a anseios e quereres de permanecer.

2006/03/24

Surpreender-se por não saber (se)


X. Maya - No outono

Hoje eu sinto como se a minha vida fosse a de uma menininha de 5 anos parada no tempo, incerta sobre muitas coisas. Menina essa que, ao esperar ansiosamente pelo outono, certa de uma brisa leve, é surpreendida pelo inverno, com sua chuva, frio e desesperanças, enquanto brincava na porta de casa.

E eu às vezes penso que, em breve, tudo vai mudar. Mas o inverno é uma longa estação. Então eu corro, mas a correnteza é forte, então eu ando, mas o vento me impede a visão, então eu paro e espero.

Não há chaves, não há alguém. Há apenas o inverno e eu, na porta de casa.


ps: "Not happy, not sad, just breathing slowly..." (by Diana)

2006/03/19

D´alma


João Godinho - Pétala Rebelde

Quando os sentimentos começam a ser deserdados, eu fico olhando para dentro de mim, vendo o que restou, como se fossem as migalhas de uma fome insaciada e aflitiva. E há dias em que tento reconfigura-los, no desejo de que voltem a viver comigo, a me pertencer. Mas esses são dias de extrema confusão, junto com lágrimas, e sorrisos, e lembranças...

Mas, mesmo eu sabendo estar de pé, o coração permanece ajoelhado diante das dúvidas da alma há horas inquieta. E a vida acaba estagnada a esses momentos de imobilidades.

E sim, existem outros dias, em que os sentimentos agem de outras formas, mas agora estou falando daqueles em que eles ficam nessa dualidade, tentando se conformar com esses sentimentos poucos, e agindo dessa forma desestruturada e sem sentido, enquanto eu tento me convencer do meu avesso.

2006/03/09

O Abstrato Concretizado (se possível for)


Sérgio Redondo - Down Under
Interior do Edifício Casa da Música, em Portugal.

Do Lat. abstractu

adj.,
que designa uma qualidade separada do objeto a que pertence;
distraído;
contemplativo;
absorto;
alheado;
preocupado;

pop.,
de compreensão difícil;
obscuro, vago, abstruso (texto);

s. m.,
o que se considera existente só no domínio das idéias e sem base material;

Arte,
diz-se da manifestação artística de conteúdo e forma alheios a qualquer representação figurativa, que é característica de diferentes épocas, culturas, ou correntes estéticas, e transcende as aparências exteriores da realidade.



O abstrato me fascina. Porque ele pode dizer muitas coisas, dependendo de como é visto.
Os meus sentimentos hoje estão dessa forma, sem forma. Mas existem, assim como na foto.
Abstratos, até que algo os traga à realidade dos meus desejos até então pairados numa atmosfera in-constante de in-certezas. Onde são muitas as palavras e sonhos, mas pouquíssimos com norte, não cabendo, portanto, naqueles outros vãos que transbordam de continuidades.

2006/02/27

Adriana Calcanhoto

Paulo Medeiros - S/T

...tenho por princípios
Nunca fechas as portas
Mas como mantê-las abertas
O tempo todo
Se em certos dias o vento
Quer derrubar tudo?...

Sudoeste, Adriana Calcanhoto/ Jorge Salomão

...

2006/02/16

Sobre lidar com lembranças

"Os seus passos confundem-se com a escada, início e meio, atropelo, marasmo, cansaço, sinta que tudo completa uma fase indispensável, uma direção ainda não definida, há degrau para tanto, para reconhecimentos. Ruínas de outros tempos apenas no resgate de lembranças merecidas."

Leila Lopes

Concordo mesmo com tudo isso. Se as lembranças deveriam ser o que de melhor habita em nós, no sentido de fazer com que um sorriso brote da face, por ter vivido algo da melhor maneira, de que vale desenterrar aquelas memórias de dor, lágrimas e faltas do que não se teve?

Tudo bem que nem sempre o vivemos intensamente, mas valeu a tentativa, o esforço... agora, ficar remexendo uma ferida de perda ainda mal cicatrizada, vale mesmo a pena? Sei que nos completa, ainda que momentaneamente, aquela autoflagelação consentida, mas, e o depois? E o incômodo até que volte a se recuperar?

Não sei, já cultivei muitas coisas doloridas, e já as reguei com muitas lágrimas. Mas hoje, prefiro acreditar e viver esperando que desabrochem apenas aquelas que me acrescentem esperança, que me encham os olhos, e o coração.

E as outras, que só machucam, não me fazem bem e me impedem de viver o melhor da vida, prefiro deixar que sejam levadas. Pelo vento... pelo tempo... por qualquer coisa.

Imagens de Paulo Medeiros.

O texto todo da Leila, aqui.

2006/02/07

Da série: E você, o que acha ?


Desconheço autoria

"Giles e Isa Olivier, Clarissa e Richard Dalloway, Mr e Mrs. Ramsay, nenhum dos três casais alcança a união total. Exceptuado o amor físico que não passa da satisfação do instinto de procriação, não pode haver amor feliz.

Desemparelhados, solitários, o homem e a mulher perseguem isoladamente o seu sonho sem se reunirem de outro modo que não apenas entre os actos, e defrontando-se para sempre um ao outro.

Longe de quebrar a solidão fundamental do ser, o casamento torna a do outro maior. É uma falsa saída, uma porta enganadora para a liberdade, e o mistério continua total: «Ali está um quarto, acolá outro», ali a mulher com as suas necessidades, os seus desejos, e acolá o homem, não inimigos, mas estranhos semelhantes a dois círculos que nunca podem coincidir por completo.

Seja o que for o amor, nunca se chegará a formar um único ser indivisível e imenso, nunca há senão dois indivíduos, pequenos e separados."

Virginia Woolf (Relógio d'Água), Monique Nathan (pág. 54)

Peguei daqui.

Sua vez agora. :)

2006/01/27

Esperar para ir

Ao invés de ficar dando brechas a tantos por quês, preferi, por esses dias, apenas escancarar as janelas e admirar o tempo passar.

Eu preferi ficar observando um pouco as flores, os pássaros, as pessoas...

E fitei os olhos no horizonte, me certificando de que é para lá, ou melhor, para além dele, que quero voar quando minhas asas crescerem um pouco mais. E essas flores desabrocharem...

Elas disseram que querem me assitir.

Então eu espero. Por nós.

............................................................Pilar Mendes Dias

2006/01/18

Relatos de Mar


A água salgada lambia os meus pés e eu me apossava de cada um dos grãos de areia que ela trazia, como se fossem minhas molecagens e inquietudes resumidas em pequenezas, numa tarde que anoitecia mais cedo do que desejava, revelando, imaturamente, o beijo da lua no mar.

E, enquanto me concentro na onda, lembro de cada sentimento que gostaria que fosse real agora, mas a onda vinha, e arrastava consigo todos aqueles grãos, juntamente com as palavras que gostaria de dizer naquele instante de pensamentos sorrateiros.


Eu, meus sentimentos e as ondas, enquanto fitava o olhar em mais uma casualidade, vindo, de mansinho, apagar aquilo que não tive a chance de viver...


E, naquele ir e vir, naquela branca espuma que se refazia a cada nova crista, eu, por letárgicos instantes, me encontrei sorridente e cabisbaixa, triste e feliz, esperançosa e pessimista, menina e mulher... Enfim, dúbia de si.


E nada fiz por isso.

Apenas deixei-o, repleto de imprecisões, enquanto, em silêncio, esperava pelo transbordamento daqueles grãos, como se os desse a responsabilidade das minhas questões agora tão intensas quanto o quebrar incessante e violento das conchas nas pedras encharcadas de mar.

Imenso. Simples. Único. Como os meus desejos e sonhos...


é isso.

2005/12/31

2005 - 2006


Waiting For nas areias de Fortaleza :)

Um ano novo repleto de oportunidades e realizações a todos os que passaram por aqui e deixaram suas palavras.
E para os que, por qualquer motivo, silenciaram.

Obrigada pelo carinho.
Sempre.
;)

2005/12/13

Lugares pertencidos


Nelson da Silva - Silêncio

Não pertenço a outro lugar, que não a esse onde ficam as brechas que o tempo e o destino vão moldando por entre as questões ainda não respondidas, (por entre) as interrogações que pairam no sôfrego minuto de não saber. Me. Não pertenço à outra parte de mim, que não a esse pequeno espaço onde descubro ser, de pouco em pouco, das miudezas de um desejo insaciado, que as coisas vão de moldando conforme devem ser, conforme sempre deveriam ter sido.

Mesmo que algumas não dêem certo, não sejam como sempre desejei, ou que o os meus olhos não alcancem a beleza ímpar das bromélias, é nessa brecha, entre o acaso e o anseio por algo novo, o lugar o qual pertenço.

Lugar de sentimentos e palavras ainda sem forma, mas onde, a cada amanhecer, consigo lembrar das memórias um dia timidamente vividas, e das esperanças daquilo que eu ainda vou ser.

2005/12/06

Tempo de colchas


Geoffroy Demarquet

Como nas horas que passam desapercebidas, ou como nos dias em que as improbabilidades se demoram, preciso de um tempo para lidar comigo. Digo preciso, porque é nesse espaço em que tento ordenar os pensamentos, e é nele, também, que estão guardados todos os relicários que fui montando, enquanto à espera dessa outra de mim estava.

É nesse tempo que costuro uns retalhos de sonhos com outros de dúvidas, e acabo sempre por findar numa colcha em que estão registradas todas essas inquietudes de ainda não saber-se menos pequena, juntamente com os medos e esperanças de adivinhar-se grande demais para caber em si.

Costuro e refaço tudo de mais inconstante enquanto, ao meu lado, sinto a presença de um coração secretamente calado e paciente que, amedrontado e tímido, se esconde, todas as vezes que tento lhe mostrar o resultado daqueles tantos silêncios atemporais.

2005/11/27

A Casa, o Céu, e Eu


Jorge Garcia - A casa da memória

Deixo, agora, que o tempo desenhe as tardes, sem interrompê-lo mais em seu compasso impreciso. Sem questioná-lo exaustivamente sobre a realização dos meus desejos mais disformes. Deixo o tempo, enquanto vou escrevendo umas palavras sem sentido, ou meramente soltas, assim como estão todos os sentimentos aqui dentro.

E, tendo comigo aquela absurda certeza de que as ilusões agora pairam, como leve poeira, naqueles sôfregos minutos de dúvidas e mistérios, recosto a cabeça num apoio qualquer dessa casa sozinha.
E permito me re- ou in- terpretar, umas vezes, menina imatura, noutras, mulher de certezas: essas duas novidades, que agora me preenchem de diferentes perspectivas...

Finalmente. Então.

..............................s...

........................n...........b...

...................a.....................o...

...............r..............................r...

..........T......................................d...

.......................................................o...

Sob um céu recoberto de inexatidões.

2005/11/18

Olhar


Sophie Thouvenin - The street

Inventei olhos de verão, onde as coisas são preenchidas por um colorido intenso, mas que ao mesmo tempo não ofuscam. Olhos de dúvidas, mas também de inquietude pelo que está por vir nos dias em que me torno incapaz de traduzir sentimentos em palavras.

Inventei esses olhos para não ser mais apenas uma alma que anseia por amar, mas para ver as coisas diferentes, ainda que agora pareçam pequenas, sob um novo prisma, em que se tornam tal qual o meu desejo, ou bem maior do que eu poderia imaginar...

Inventei olhos de novidade, mas eles não piscam, de tão encantados com a cor da felicidade que nasce e morre, nasce e morre e míngua num coração de primaveras e outonos, ou verões e invernos, não sei. Coração sem estações definidas, mas que, a cada amanhecer, se descobre maior ainda, a ponto de mal caber no vasto espaço dos meus sonhos recém-nascidos.

2005/11/07

Os primeiros dias eram lilases


Davisu - Hojas Lilas

Eram lilases aqueles dias que eu me imaginava brotando nuns braços de paz, que me trouxeram aconchego e harmonia. E, à medida que a tempestade se apaziguava, abriam-se as janelas que agora apenas lacrimejavam gotas da chuva de ontem. Tão simplórias. E sutis.

Naqueles doces dias de céu rabiscado por finas nuvens, não existia mais tormenta, tampouco a solidão, que agora cabia entre os dedos, de tão pequena e inútil...

Durante aqueles dias eu sorri um sorriso de inocência, e ouvi, naquela voz, uma melodia singular. E, ao redor, a batida dos nossos corações, que se esqueciam de tudo o que pudesse causar impedimento de desejos. Ele me mostrava seus sonhos, e eu me encantava com a delicadeza de suas marotas novidades.

Lilases eram aqueles dias que eu pensava estar começando e me deixando amar.

2005/11/01

2005/10/24

Ainda que. Ainda assim.


Bjoern Oldsen

Ainda que eu pudesse decifrar os silêncios que, lentamente, vão lapidando a memória, não poderia esquecer-me daqueles sonhos que um dia me mostraram amplitude...
Ainda que desabrochasse em pétala suave, regada pelo orvalho de uma noite tênue, não poderia apagar aqueles transbordamentos em novidades...
Ainda que a mesmice dos dias me revelasse a suavidade do tempo e a beleza dos pássaros, não apagaria as pegadas de arrependimentos e aprendizados que me fizeram chegar até aqui...
Ainda que um tempo de calmaria pousasse sobre a pele, ou o destino me revelasse uma paixão estarrecedora, que me permitisse tocar o etéreo e o fugaz...

...Ainda assim escutaria, perfeitamente, o lento bater de um coração cicatrizado, que se aconchega e reinventa os dias por detrás do leve peso dos seios.

2005/10/17

Depois da Curva


Daniel Cody

São as curvas que me fazem ter esperança de novos caminhos. Mas, ao mesmo tempo, temo-as, porque, enquanto indicam transição a um novo momento, outras vezes me amedrontam, pois podem machucar.
Mas foi bom passar por todas as curvas até agora. Está sendo.

Não sei bem o que vem depois de mais essa. Mas gostaria que fosse uma paisagem ainda incerta, mas com menos por quês, e mais sonhos realizados.

E você? O que acha que tem depois da curva? Ou melhor, o que vc QUER que venha depois da curva?

.

2005/10/10

Verdade não dita ou Mudança ir-reversível


Júlio César Ferreira - Banco de jardim

Quando da verdade que precisa ser dita olho a olho, cara a cara, decidimos, algumas vezes, deixar que o tempo dite o caminho certo a ser tomado, talvez para não ter de arcar com tamanha responsabilidade. Mas é angustiante ter de se conformar com silêncios, quando se queria tudo simples e claro. O se habituar com palavras que não vêm, seguidas de atitudes também confusas, instiga-me a simplesmente continuar sem querer saber das respostas.
O inevitável, então, grita aos ouvidos, desejando que não viva de interrogações, e uma ilusão alimentada por talvez ou quem sabe: ácidos que corroem desejos e esperanças...

Entristece-me ter de ocultar sentimentos simplesmente por que decidiram que vai ser assim, e eu não fiz parte disso.

O que resta, então, é um banco solitário, o final da tarde, o sol despedindo-se de mais um dia abafado, e eu, pensando no que poderia ser re-feito.
Mas não adianta. Outras coisas agora fazem sentido. Enquanto muitas, de estagnadas, tornaram-se irreversíveis.

2005/10/05

Do que não faz mais sentido ou Dias que não são bem-vindos


Cristina Carriconde

Quando um dia triste vai se moldando na minha janela, eu me lembro das coisas que perderam o sentido na minha vida. Acho que a partir do momento que a vontade de estar só é maior que o prazer de uma companhia, ainda que momentânea, já não vale mais a pena esperar por algo incerto e vago. O dia vai nascendo e eu fico tentando fazer com que nasça em mim aquela menina paciente, que desabrocharia, de tão simplória crisálida, a tons de plenitude, com asas a admirar novas paisagens, pores-de-sol, horizontes...

E, enquanto me esforço para isso, acabo por abstrair as interrogações desse dia que ainda não sangrou todas as amarguras, ainda não mostrou todos os obstáculos, ainda não chorou todas as dores de solidão...

O dia triste vai se revelando e, ao mirar mais um sol de calmaria, posso perceber no peito o palpitar desconcertado de um coração que tenta entender e se conformar com essas perdas.

Não há sentido. Em muitas coisas. Mais.

2005/09/26

Eu e o Amor, sempre o Amor: Eterno Paradoxo


Pedro Gomes - Presa nas riscas

Eu fico tentando relembrar aquelas vezes em que a ilusão de que as coisas que eu queria pudessem ser concretizadas. Mas, ao mesmo tempo, eu não sei como, nem onde, nem por quê ando pensando nisso. E dessa forma. Hoje, é como se eu preferisse a realidade estampada na cara, ainda que me entristeça, a ficar rodeada de outras coisas que não me deixam dar um passo, como a certeza de um sentimento...

Eu adio o meu gostar, e deixo pra depois o meu amor... Desvanesço.

E, com isso, eu permito que a vida vá me mostrando, aos pouquinhos, como sempre deveria ter sido, umas coisas mais importantes do que essas ilusões agigantadas. E acabo sempre naquele paradoxo: eu, tentando me aninhar numa escuridão qualquer, para aprender com o silêncio, e o meu corpo, insistindo em amar.

2005/09/20

Últimas, penúltimas, antepenúltimas...


Jorge Garcia - Ondas de paixão

Ultimamente eu prefiro pensar no que não poderia ter sido se eu não estivesse pensando assim.
.

E você, no que tem pensado?

2005/09/14

Janelas da alma ou Semi-cores


Antônio Manuel Pinto da Silva - Cores do Outono

No quase entardecer, justamente naqueles instantes pouco prováveis e abstratos, porém supremos, nos quais lembramos que a noite está por vir, e com ela aquele sempre retorno ao preto e branco e à masmorra dos silêncios in-traduziveis, ou que pensamos em improbabilidades... É justamente nessas horas em que rogo por alguma sabedoria para driblar o inconstante e o acaso, como se fossem os únicos de uma mente absoluta porém insana. E o fato de não me sentir bem com as situações, ou adversidades, ou obstáculos que impedem sossego, não tem feito com que acredite apenas em talvezes.
E, já me sabendo ancorada nas linhas do destino, esse não sei quê a me consolar, é que escancaro as janelas diante da parca tarde, contemplando o horizonte semi-colorido dos meus desejos.

ps: Obrigada àqueles que compareceram no dia do meu aniversário! ;)

2005/09/11

Meu Aniversário


Thaline - 6 anos

Ééééé menininhos e menininhas, essa que vos escreve já foi assim, uma gata!
Mas o tempo vai passando né... fazer o quê! :P

Mais um aniversário que tem, nos olhos, ainda dúvidas, temores, mas também o aprendizado e o amadurecimento. Mais um aniversário em que coloro o céu de esperança por mais um ano em que os sonhos re-começarão, ainda mais belos. E o meu desejo é que a poesia nunca se acabe em mim, florescendo a cada nova vontade de traduzir-se em palavras. E que os meus braços estejam sempre estendidos para o abraço da lua, o beijo do sol... e os meus olhos sempre abertos para novas descobertas.

Que esse dia 11, em que completo 21 anos, reinvente tudo aquilo que fui, que sou e que serei.

Yeahhhhhhhh!!!

2005/08/31

O fruto proibido


Antônio Manuel Pinto da Silva - Uma simples maçã

- Quer um pedacinho, Adão?
- Mas é pecado, Eva!
- Pecado é deixar apodrecer.


-FFF-

eheheheehehehehehehehehehehehehehehehehe
¬¬
;P

2005/08/30

Para Ela

André Luís de Almeida - Miolo de flor

Menina de 5 anos levanta os olhos da folha onde desenha e pergunta:
- Mãe, o que é amor?

- É uma coisa imensamente boa, a melhor coisa do mundo, não se acaba nunca, é cada vez melhor, deixa a gente feliz, feliz, feliz, faz bem. É tão bom que a gente nem consegue explicar, só sentir.

- Mãe, amor é tu?


By Ticcia

Para homenagear a minha. Que faz aniversário hoje.
E dizer que eu sou completamente apaixonada por essa pequena grande mulher. ;D

Yeahhhhhhhhh!!!

2005/08/15

E.s.p.e.r.a.r = C.a.n.s.a.r.-.s.e


Sombra de prata - Amor à vista

Esperar causa transtorno. Confusão. Cansaço. O estranho não é você acordar e viver mais um dia esperando pelo que quer, fingindo não estar preocupado quando, na verdade, está tão ansioso que só pensa na concretização dos teus desejos. Mas é a vida não te dar, ou não devolver o que te pertence, sem te fazer refletir muito para não errar de novo, nos mesmos lugares.
Esse aprendizado forçado, esse tempo que não passa, esse perguntar se essa aflição consentida vale mesmo a pena... Isso é que é estranho.

Mas eu estou aqui.
E.s.p.e.r.a.n.d.o.

Mas não é fácil... não é fácil.... é estranho...

2005/08/12

Despedida a um amigo.


Luis Lobo Henrique - Vôo 15

É triste ter que se despedir de alguém sem olhar nos olhos. E receber notícias repentinas tb. A vida tem das suas. As coisas não aconteceram como previstas, e hoje um amigo me avisou que está de partida para Aracaju terça ou quarta. E que talvez eu não tenha a chance de me despedir pessoalmente.

É triste não poder se despedir. É triste perder alguém assim. E é mais triste quando a vida te traz essas surpresas que não são bem-vindas. Mas ele sempre vai continuar sendo aquele homem por fora, porém um pequeno menino que cabe na palma da minha mão.
Sensível e que precisa ser tratado com cuidado.

Ser especial não é para todos. E você é para mim.
Rafael. Coração. Meu amigo.

Mas ele vai ser feliz. Ele me prometeu...


:/

2005/08/07

A realidade que eu não queria encarar/dia inexplicado


By Leite de creme

Eu entendo que a gente não pode esperar tantas coisas assim das pessoas. Mas eu não entendo o que faz o meu coração silenciar tanto assim... Eu entendo a minha ignorância. Mas não essa indecisão estampada na cara...

E os meus olhos aqui, cheinhos de lágrimas. Mas nenhuma ousa cair.
.
.
.
As minhas lágrimas são covardes, porque só chegaram até a beira dos olhos. E eu, tola, porque sou só mais uma romântica, que insiste em amar.

ps: essa foi a última vez que fechei os olhos para não te ver tão mais feliz sem eu... a última vez... eu prometo.