Desconheço Autoria2007/06/10
Um dia
Desconheço Autoria2007/05/31
Daí
Daí que cabe a cada um aceitar o beijo amargo da indiferença e o abraço oco do arrependimento, ou não. É uma escolha.
Eu escolhi continuar. E você?
2007/05/10
Antes do fim
Antes mesmo que a aurora tarde e a minha pele já não pressinta o que a noite traz, quero ser essa de mim que há muito não é e desconheço. Quero poder deserdar as dúvidas e plantar um tanto de sementes que trago no bolso do casaco: de desejos, de futuros e de amor. Antes mesmo de pensar em brotos, que eu possa acariciá-las junto ao peito e regá-las com uma ultima lágrima do que até hoje não pude ser talvez por não saber. E que, até crescerem, quem sabe antes mesmo da próxima estação, eu junto me reinaugure, sonhando de novo e de novo, adormecida debaixo da sombra do secreto.
2007/04/30
2007/04/21
2007/04/12
O Gato e o Pássaro
Desconheço AutoriaSe o gato não correr o risco de pegar o pássaro, ele vai sempre ficar pensando no que poderia ter sido se ele tivesse ao menos tentado. Ou ele vai ficar feliz porque tentou, ou frustrado, porque só olhou uma oportunidade e não se arriscou.
Eu me vejo como esse gato, saltando para os meus objetivos. O destino é incerto. Então prefiro saltar de olhos entreabertos. Porque, se fechados, perco o foco. E, se abertos, lembro do medo.
Gato em frente ao pássaro de olhos entreabertos pronto para saltar.
Essa sou eu. E feliz. :)
2007/04/01
Instantes
Pedro Gilberto - Composição I - Lagoa se Santo AndréSe eu fosse dizer onde gostaria de estar agora, com certeza não seria aqui. Talvez num lugar calmo, com pessoas diferentes, que pensassem e fizessem coisas também diferentes. Mas, se a vida me colocou onde estou, é porque tenho coisas a aprender com isso. E, no momento certo, ela vai me levar para o lugar onde devo ir, e com quem devo estar.
Me disseram que Deus só precisa de um instante para mudar nossa vida. E acho que a gente precisa também de apenas um instante para pensar diferente. Se o instante é agora, então vou fazer coisas bonitas, amar quem eu amo e sorrir para quem dá valor às simplicidades da vida.
Quanto tempo dura um instante, feliz ou triste?
Quanto tempo dura um instante?
2007/03/19
Não conte a ninguém!
2007/03/06
Dias
Às vezes prefiro que o tempo voe, para que tudo passe o mais rápido possível na minha vida, esses são dias de ansiedade, que não me acrescentam muita coisa, a não ser um conformismo por não ser como queria. Gosto mesmo é quando entendo o tempo como algo bom e que demora a passar, da brisa que sopra e vai tatuando em mim novidades esquecidas, ou surpresas agradáveis. Esses são dias de expectativas boas e que me fazem pensar diferente. São nesses que resgatamos as boas lembranças e as mais aconchegantes esperanças...
Sei lá, elas ficam como que presas num espaço de tempo só nosso, que cultivamos com carinho e um sorriso nos lábios. Como se entre a realidade e o sonho existisse um caminho estreito e bonito, onde só vemos quem amamos, e quem gosta e torce realmente por nós.
Daí viver vale a pena.
Independente dos dias.
2007/02/20
Pedras
São muitas as pedras no caminho, e sentimentos não correspondidos que, de tanto saber que não me fazem bem, mas alimentá-los, talvez por fraqueza ou medo ou o me sentir pequena demais para superá-los, petrificam-se.
E acabamos por nos perder numa imensidão de dificuldades, e obstáculos, e lutas, que não vemos sequer o prefácio de uma solução que está ali à nossa frente, mais perto do que imaginamos...
Há pedras que vem para nos tornar fortes, outras, porém, apenas para nos fazer perder tempo, enquanto poderíamos pensar além.
Então, ao invés de guardar todas elas para, futuramente, erguer um castelo, onde as paredes seriam os meus fracassos, lágrimas, erros e sentimentos que não desejei, prefiro junta-las no bolso do casaco e seguir rumo a um mar chamado esquecimento.
Que pedras levar consigo?
2007/02/03
- Diálogo
- A solidão é um monstro que me espera atrás da porta.
- E como você faz para ela não te ver?
- Entro no meu coração com a luz apagada.
2007/01/15
...asas?

fotolog.com/rudydog
Mas eu sinto. E um dia elas se tornarão fortes. Então vou poder voar. Daí todos vão se surpreender com aquela menina que traçava planos muitas vezes distantes, porque não os compartilhava com ninguém. Ou que parecia mais uma tola que aparentemente só cultivava medo, lágrimas e fracassos.
Um dia eu vôo, que sabe daqui a um mês, um ano, ou mesmo uma vida, e eu vôo. E não ligo para o tempo que isso vai demorar, eu só quero mesmo é ir e, de lá, olhar para baixo e me lembrar de onde eu saí, como eu era e no que me tornei. E depois olhar para frente, para onde estou indo, vivendo a materialização de promessas cravadas no coração.
... é tudo uma questão de tempo...
Voar e ir além, para viver feliz, como aquele filhote que, mesmo sabendo da altura do ninho e da tempestade adiante, olha para as suas asas tão frágeis mas não teme, pois sabe que, em breve, seus pais retornam e o envolvem debaixo de asas que o cuidam, até que cresça, com amor.
``Deus cuida de mim, na sombra das Tuas asas, Deus cuida de mim...``
Kleber Lucas
2006/12/29
Novo Ano
A onda encontra obstáculos, mas, mesmo assim, não se deixa vencer por eles. Ao contrário, transpõe com toda a sua força, pois sabe que, lá na frente, encontrará coisas outras, como a chance de poder achegar-se à beira da praia e lamber os pés dos românticos, ou de trazer consigo conchas e bichos do mar que precisam dela, ou de, simplesmente, viver algo diferente.
...
Afinal, o que seria da onda, caso se conformasse com apenas o profundo... temendo o difícil... não sabendo o que a aguarda... descartando a margem?!
Acho que se reduziria a um amontoado de gotas de solidão.
E que venha 2007.
2006/12/04
Quereres
Quisera eu ter entre as mãos as conquistas, juntamente com um pouco de desesperança debaixo das unhas, para lembrar e me convencer de que não são só de certezas, mas sim de possibilidades que se vive a vida na medida certa de seus propósitos.
E o meu desejo é o de encontrar esse lugar em que olhar para trás seja um ato para relembrar os motivos do meu sorriso e até onde pude chegar, e não o de ver os mesmos casulos de insistências e questionamentos. E o olhar para frente seja a certeza de um lugar para além de mim que transborde de simplicidades e ternura. Onde o amor dura para sempre.
2006/11/07
Gota de Outono (ou primavera, ou verão, ou inverno)

Hugo Manita - Gota de Outono
A lágrima é uma parte do nosso mundo, não importando se grande ou pequena, mas de um tamanho que só tu cabes, e que só cabe a ti.
E a mais ninguém.
2006/10/13
A culpa nunca foi do destino...
2006/09/16
Nando Reis
2006/09/11
Festa!

J.R.Garcia
Hoje é o meu aniversário.
Estou feliz. Bem mais feliz do que no aniversário do ano passado.
Sei lá. Hoje eu não apenas acho e desejo ser uma pessoa melhor, como vivo isso.
E, que nesses próximos 365, que eu me torne melhor ainda, amadurecendo e mirando os meus sonhos não tão distantes quanto um dia eu pensei que eles fossem. Eles estão perto, muito perto de mim...
O meu desejo, então, é que eu viva a materialização de tudo isso. E que, a cada dia, eu me reinvente, para descobrir, sempre sobre uma nova perspectiva, o que significa viver.
:)
2006/08/27
Sono
Desconheço Autoria
Ele se revira todo, e nenhum som é capaz de despertá-lo desse sono profundo, como se estivesse muito cansado do dia, das horas que se demoraram, da vida... Então, ele simplesmente chega, olha-me de soslaio e deita-se para, daqui a pouco, (acho que) começar a ser permeado por sonhos muito loucos, de forma que se debate e fala sozinho. Não sei se é comigo que sonha, ou se com os seus fracassos e solidão.
Mas ele não está sozinho, ele tem a mim, que ouço e fito-o demoradamente, tentando descobrir de que é feito, e o quanto sou feita disso, sendo sua matéria boa parte do meu querer-ser. Então, permaneço quieta, já que não há lembranças, ou sonhos, ou qualquer coisa que o faça sair desse lugar que parece ser agora um bom espaço para o seu descanso diário.
Eu queria que fosse o provável, mas é o impossível que dorme na minha cama, debaixo de lençóis brancos. E, por acaso, deveria eu ter coragem para acordá-lo? E, por acaso, tu terias?
2006/08/13
Deixar para Desabrochar
Desconheço Autoria
2006/07/25
Cais

Gonçalo Pereira - Cais da Tranqüilidade
Sentar-se e observar o que me cerca. Desde o horizonte incerto ao céu que se revela sobre minha cabeça. Sorrir para todas essas simplicidades singulares. E, desse olhar, resgatar todos os meus...... –res. Restituir. Rever. Reinterpretar. Recriar. Renascer. Até que, de tanto olhar e sentir, não seja mais a mesma que primeiramente achegou-se a esse cais de possibilidades. Talvez eu seja agora a brisa que sopra e faz frio. Ou então a água que, pairada sobre as margens, des-adormece do peito os prefácios da ternura, dos sonhos e do amor.
2006/07/18
Abismo de -ins
Mas agora ela me coloca à beira de um abismo que transborda de dúvidas e impossibilidades. Justamente eu, que sempre a questiono, me vejo diante de suas interrogações, inconstâncias, -ins, na iminência de despencar...
A saudade, a falta e tudo aquilo que não pude viver, por orgulho ou fraqueza, ficam sendo o que compõe esse precipício. E ele tenta, com seus nãos e por quês me convencer do contrário, de que maiores são os desejos insatisfeitos do que o esboço de um sorriso. Não sei o que deseja. Mas, de qualquer forma, deixo-o, gritando suas inseguranças e contradições enquanto salto no escuro.
Quem sabe assim não Nos. Me. encontre.
2006/06/18
O Depois

José Moreira - Brussels Garden
Depois do tempo de tempestades, de sofreguidão e abandono, vem sempre um intermédio, onde a gente descobre vida no que antes achava estar morto. Conseguimos, finalmente, ver a flor, ainda que encharcada pela chuva, desabrochando. Ou o pássaro, ainda molhado e com frio, piar. E vai reconstruindo um mundo de cores que há tempos não víamos...
Um tempo de novidades, em que a vida vai ensinando novamente os significados dos sentimentos esquecidos, juntando os cacos e re-descobrindo passos.
No período de chuva e medo. E antes do sol e do sorriso. Nesse espaço, em que o sonho e a memória acham uma brecha pala falarem mais alto, ainda que sejamos incapazes de traduzi-los para a realidade... É aí que está, mesclada de solidão e saudade, com plenitude e amor: A poesia. A felicidade. O sorriso.
Nós e nós mesmos.
2006/06/06
reS oãN = Não Ser
2006/05/27
Ocasiões

Amanda Keeys - At the gate
E quem disse que não há cor naqueles sonhos que você nunca quis sonhar? Elas sempre vão e voltam. E, às vezes, até te tocam, mas você não sabe. Deseja mesmo é acordar e ficar observando as incertezas passando pela janela. Ou a vida das cores. Ou as cores da vida.
VcIoDrA
E assiste aquele sonho se perder. Mas se tudo pode ser uma escolha, então eu fico com aquelas asas que passam pela janela, e nunca se cansam de vagar, hipnotizadas com a multiplicidade de possibilidades. Encantadas. Extasiadas. Perdidas. Borboleteando por aí...
2006/05/08
Eu: fresta

J.l. - Dentro ou fora
A madrugada, e eu sou a fresta da janela que deixa passar o vento gélido de uma noite de faltas, saudades, arrependimentos, desejos... Sou a fresta, e permito que esse sopro faça esparramar as folhas rabiscadas, abrir os livros não lidos, os velhos, os novos. E os meus olhos agora desejam alguma claridade, uma nesga de luz não forte, não fraca, suficiente apenas, para poder alcançar o limite entre a realidade e os meus sonhos. Mas eu sou a fresta, sou essa abertura única e incômoda das horas que se demoram. E os meus olhos são só o desejo de que o astro diga adeus às estrelas, aos românticos, aos loucos, e deixe que o azul de mais uma luz bonita se adentre ao meu espaço que não cabe mais em si de mudanças. São poucos os minutos da manhã e eu me debruço sobre esse dia que não nasceu como queria. Mas ele amanheceu, eu esqueci ?
2006/04/25
Dores de amores indolores

Maria São Miguel - Na sombra de um beijo
- É verdade que os amores eternos nunca morrem?
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você. Mas ela estará mais perto do que você pensa.
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte.
Por Fábio Fabrício Fabretti
Porque às vezes gosto de pensar na eternidade daquilo que sei ser efêmero, mas me preenche.
2006/04/12
Últimas, penúltimas, antepenúltimas...
2006/04/02
En-tar-de-cer

Paulo César - Tudo imenso... sem nós
Tarde que se despede, e na boca um gosto de mudanças, de esperas. Ela se esvai, enquanto procuro qualquer lugar para refletir, até que encontre algum sentido para essas questões que agora brotam infindas da areia, do coração, dos espaços resguardados de nuncas e senões.
Lugar de se ficar sozinha, não para consentir com a solidão, mas para descobrir quais são mesmo as cores dos olhos da felicidade, do tempo de bonança, do sorriso para as simplicidades esquecidas...
A noite começa e temo-a com e seus mistérios, dúvidas e ansiedades. Ela parece desejar que não pertença a essa imensidão de descobertas que podem, por vezes, ferir. Mas, mesmo inabitável, escura, e distante da ordinariedade dos meus dias mais disformes, forço-me a anseios e quereres de permanecer.
2006/03/24
Surpreender-se por não saber (se)

X. Maya - No outono
Hoje eu sinto como se a minha vida fosse a de uma menininha de 5 anos parada no tempo, incerta sobre muitas coisas. Menina essa que, ao esperar ansiosamente pelo outono, certa de uma brisa leve, é surpreendida pelo inverno, com sua chuva, frio e desesperanças, enquanto brincava na porta de casa.
E eu às vezes penso que, em breve, tudo vai mudar. Mas o inverno é uma longa estação. Então eu corro, mas a correnteza é forte, então eu ando, mas o vento me impede a visão, então eu paro e espero.
Não há chaves, não há alguém. Há apenas o inverno e eu, na porta de casa.
ps: "Not happy, not sad, just breathing slowly..." (by Diana)
2006/03/19
D´alma

João Godinho - Pétala Rebelde
Quando os sentimentos começam a ser deserdados, eu fico olhando para dentro de mim, vendo o que restou, como se fossem as migalhas de uma fome insaciada e aflitiva. E há dias em que tento reconfigura-los, no desejo de que voltem a viver comigo, a me pertencer. Mas esses são dias de extrema confusão, junto com lágrimas, e sorrisos, e lembranças...
Mas, mesmo eu sabendo estar de pé, o coração permanece ajoelhado diante das dúvidas da alma há horas inquieta. E a vida acaba estagnada a esses momentos de imobilidades.
E sim, existem outros dias, em que os sentimentos agem de outras formas, mas agora estou falando daqueles em que eles ficam nessa dualidade, tentando se conformar com esses sentimentos poucos, e agindo dessa forma desestruturada e sem sentido, enquanto eu tento me convencer do meu avesso.
2006/03/09
O Abstrato Concretizado (se possível for)

Sérgio Redondo - Down Under
Interior do Edifício Casa da Música, em Portugal.
Do Lat. abstractu
adj.,
que designa uma qualidade separada do objeto a que pertence;
distraído;
contemplativo;
absorto;
alheado;
preocupado;
pop.,
de compreensão difícil;
obscuro, vago, abstruso (texto);
s. m.,
o que se considera existente só no domínio das idéias e sem base material;
Arte,
diz-se da manifestação artística de conteúdo e forma alheios a qualquer representação figurativa, que é característica de diferentes épocas, culturas, ou correntes estéticas, e transcende as aparências exteriores da realidade.
O abstrato me fascina. Porque ele pode dizer muitas coisas, dependendo de como é visto.
Os meus sentimentos hoje estão dessa forma, sem forma. Mas existem, assim como na foto.
Abstratos, até que algo os traga à realidade dos meus desejos até então pairados numa atmosfera in-constante de in-certezas. Onde são muitas as palavras e sonhos, mas pouquíssimos com norte, não cabendo, portanto, naqueles outros vãos que transbordam de continuidades.
2006/02/27
Adriana Calcanhoto
2006/02/16
Sobre lidar com lembranças
Leila Lopes

Concordo mesmo com tudo isso. Se as lembranças deveriam ser o que de melhor habita em nós, no sentido de fazer com que um sorriso brote da face, por ter vivido algo da melhor maneira, de que vale desenterrar aquelas memórias de dor, lágrimas e faltas do que não se teve?
Tudo bem que nem sempre o vivemos intensamente, mas valeu a tentativa, o esforço... agora, ficar remexendo uma ferida de perda ainda mal cicatrizada, vale mesmo a pena? Sei que nos completa, ainda que momentaneamente, aquela autoflagelação consentida, mas, e o depois? E o incômodo até que volte a se recuperar?
Não sei, já cultivei muitas coisas doloridas, e já as reguei com muitas lágrimas. Mas hoje, prefiro acreditar e viver esperando que desabrochem apenas aquelas que me acrescentem esperança, que me encham os olhos, e o coração.
E as outras, que só machucam, não me fazem bem e me impedem de viver o melhor da vida, prefiro deixar que sejam levadas. Pelo vento... pelo tempo... por qualquer coisa.
Imagens de Paulo Medeiros.
O texto todo da Leila, aqui.
2006/02/07
Da série: E você, o que acha ?

Desconheço autoria
"Giles e Isa Olivier, Clarissa e Richard Dalloway, Mr e Mrs. Ramsay, nenhum dos três casais alcança a união total. Exceptuado o amor físico que não passa da satisfação do instinto de procriação, não pode haver amor feliz.
Desemparelhados, solitários, o homem e a mulher perseguem isoladamente o seu sonho sem se reunirem de outro modo que não apenas entre os actos, e defrontando-se para sempre um ao outro.
Longe de quebrar a solidão fundamental do ser, o casamento torna a do outro maior. É uma falsa saída, uma porta enganadora para a liberdade, e o mistério continua total: «Ali está um quarto, acolá outro», ali a mulher com as suas necessidades, os seus desejos, e acolá o homem, não inimigos, mas estranhos semelhantes a dois círculos que nunca podem coincidir por completo.
Seja o que for o amor, nunca se chegará a formar um único ser indivisível e imenso, nunca há senão dois indivíduos, pequenos e separados."
Virginia Woolf (Relógio d'Água), Monique Nathan (pág. 54)
Peguei daqui.
Sua vez agora. :)
2006/01/27
Esperar para ir
Ao invés de ficar dando brechas a tantos por quês, preferi, por esses dias, apenas escancarar as janelas e admirar o tempo passar.Eu preferi ficar observando um pouco as flores, os pássaros, as pessoas...
E fitei os olhos no horizonte, me certificando de que é para lá, ou melhor, para além dele, que quero voar quando minhas asas crescerem um pouco mais. E essas flores desabrocharem...
Elas disseram que querem me assitir.
Então eu espero. Por nós.
............................................................Pilar Mendes Dias
2006/01/18
Relatos de Mar

A água salgada lambia os meus pés e eu me apossava de cada um dos grãos de areia que ela trazia, como se fossem minhas molecagens e inquietudes resumidas em pequenezas, numa tarde que anoitecia mais cedo do que desejava, revelando, imaturamente, o beijo da lua no mar.
E, enquanto me concentro na onda, lembro de cada sentimento que gostaria que fosse real agora, mas a onda vinha, e arrastava consigo todos aqueles grãos, juntamente com as palavras que gostaria de dizer naquele instante de pensamentos sorrateiros.

Eu, meus sentimentos e as ondas, enquanto fitava o olhar em mais uma casualidade, vindo, de mansinho, apagar aquilo que não tive a chance de viver...

E, naquele ir e vir, naquela branca espuma que se refazia a cada nova crista, eu, por letárgicos instantes, me encontrei sorridente e cabisbaixa, triste e feliz, esperançosa e pessimista, menina e mulher... Enfim, dúbia de si.

E nada fiz por isso.
Apenas deixei-o, repleto de imprecisões, enquanto, em silêncio, esperava pelo transbordamento daqueles grãos, como se os desse a responsabilidade das minhas questões agora tão intensas quanto o quebrar incessante e violento das conchas nas pedras encharcadas de mar.
Imenso. Simples. Único. Como os meus desejos e sonhos...

é isso.
2005/12/31
2005 - 2006
2005/12/13
Lugares pertencidos

Nelson da Silva - Silêncio
Não pertenço a outro lugar, que não a esse onde ficam as brechas que o tempo e o destino vão moldando por entre as questões ainda não respondidas, (por entre) as interrogações que pairam no sôfrego minuto de não saber. Me. Não pertenço à outra parte de mim, que não a esse pequeno espaço onde descubro ser, de pouco em pouco, das miudezas de um desejo insaciado, que as coisas vão de moldando conforme devem ser, conforme sempre deveriam ter sido.
Mesmo que algumas não dêem certo, não sejam como sempre desejei, ou que o os meus olhos não alcancem a beleza ímpar das bromélias, é nessa brecha, entre o acaso e o anseio por algo novo, o lugar o qual pertenço.
Lugar de sentimentos e palavras ainda sem forma, mas onde, a cada amanhecer, consigo lembrar das memórias um dia timidamente vividas, e das esperanças daquilo que eu ainda vou ser.
2005/12/06
Tempo de colchas

Geoffroy Demarquet
Como nas horas que passam desapercebidas, ou como nos dias em que as improbabilidades se demoram, preciso de um tempo para lidar comigo. Digo preciso, porque é nesse espaço em que tento ordenar os pensamentos, e é nele, também, que estão guardados todos os relicários que fui montando, enquanto à espera dessa outra de mim estava.
É nesse tempo que costuro uns retalhos de sonhos com outros de dúvidas, e acabo sempre por findar numa colcha em que estão registradas todas essas inquietudes de ainda não saber-se menos pequena, juntamente com os medos e esperanças de adivinhar-se grande demais para caber em si.
Costuro e refaço tudo de mais inconstante enquanto, ao meu lado, sinto a presença de um coração secretamente calado e paciente que, amedrontado e tímido, se esconde, todas as vezes que tento lhe mostrar o resultado daqueles tantos silêncios atemporais.
2005/11/27
A Casa, o Céu, e Eu

Jorge Garcia - A casa da memória
Deixo, agora, que o tempo desenhe as tardes, sem interrompê-lo mais em seu compasso impreciso. Sem questioná-lo exaustivamente sobre a realização dos meus desejos mais disformes. Deixo o tempo, enquanto vou escrevendo umas palavras sem sentido, ou meramente soltas, assim como estão todos os sentimentos aqui dentro.
E, tendo comigo aquela absurda certeza de que as ilusões agora pairam, como leve poeira, naqueles sôfregos minutos de dúvidas e mistérios, recosto a cabeça num apoio qualquer dessa casa sozinha.
E permito me re- ou in- terpretar, umas vezes, menina imatura, noutras, mulher de certezas: essas duas novidades, que agora me preenchem de diferentes perspectivas...
Finalmente. Então.
..............................s...
........................n...........b...
...................a.....................o...
...............r..............................r...
..........T......................................d...
.......................................................o...
Sob um céu recoberto de inexatidões.
2005/11/18
Olhar

Sophie Thouvenin - The street
Inventei olhos de verão, onde as coisas são preenchidas por um colorido intenso, mas que ao mesmo tempo não ofuscam. Olhos de dúvidas, mas também de inquietude pelo que está por vir nos dias em que me torno incapaz de traduzir sentimentos em palavras.
Inventei esses olhos para não ser mais apenas uma alma que anseia por amar, mas para ver as coisas diferentes, ainda que agora pareçam pequenas, sob um novo prisma, em que se tornam tal qual o meu desejo, ou bem maior do que eu poderia imaginar...
Inventei olhos de novidade, mas eles não piscam, de tão encantados com a cor da felicidade que nasce e morre, nasce e morre e míngua num coração de primaveras e outonos, ou verões e invernos, não sei. Coração sem estações definidas, mas que, a cada amanhecer, se descobre maior ainda, a ponto de mal caber no vasto espaço dos meus sonhos recém-nascidos.


















