
E como sinto.
:)
O pôr-do-sol não é simplesmente o adeus do dia e a saudação da noite. Não é a tristeza nos olhos da alegria e a alegria nos olhos de mais uma noite que pode ser triste. A noite é a oportunidade que a vida nos dá para deixarmos de olhar para a imensidão da estrada que estamos percorrendo, e nos permitir lembrar um pouco do que esquecemos. E, nesse recolhimento, muitas vezes nos vêm à memória aqueles primeiros sentimentos: de saudade, de arrependimento, de carinho... e de amor. Ou de indiferença, de amargura, de dor... e de solidão. Daí pensamos tudo isso ser muito estranho, essa dualidade, e nos aninhamos, buscando um sossego que parece tardar...
É aí que procuro aquele canto que fica entre a alma e o coração, e ali me aquieto. Não que seja um escape, onde o medo de enfrentar situações fale mais alto. Ele é apenas um lugar bonito, de recolhimento, de reflexão, e de aprendizado. Lá, eu avisto um lugar formoso e calmo, onde, por detrás das pálpebras que esperam pelo meu sonho, apesar de tudo, eu me sinto completa.
Kiki - Instinto de SobrevivênciaUma página virada na vida não é aquela pela qual você nunca volta a ler, nunca sente saudades. Mas é aquela que você sabe que não pode ser definitivamente um lugar estanque, onde só ficam escritas as palavras não ditas, ou as dores, ou as faltas, e você folheia sem pressa e chorando de alegria ou de tristeza. Quer voltar a ler? Volta, mas não fique nela ao ponto de parar a vida por causa disso. Uma página virada é justamente aquela que posso até me lembrar, mas que também é o ponto de partida para uma em branco, esperando pelo colorido de um mundo que pode não existir na realidade, mas que posso concretizá-lo através dos meus sonhos e do meu pensar diferente.
Páginas viradas, vida que recomeça. De novo, de novo, de novo e sempre nunca igual.
X.Maya - Centro da VidaA vida me surpreende nas esquinas, nas pequenas coisas, justamente naqueles momentos em que penso que de mim não se lembra mais, que de mim perdeu-se. Ela me manda flores em palavras, atitudes, e faz brotar um tímido, porém sincero sorriso na face. Sorriso que, por vezes, quer esvair-se, mas ela não deixa (ainda bem).
Gosto dessas coisas instantâneas, de não saber onde, quando e como vou poder admirar sua capacidade de me mostrar, num canto qualquer, não orgulhos, não dualidades... Mas cumplicidades, reciprocidades e alegrias, ao entender que o vazio pode ser sim um espaço repleto de sentimentos bonitos e, as frestas, lugares de onde brotam flores e novidades. Vazio dentro de mim, guardado e escondido, onde ela sempre soube me encontrar, e onde eu tenho certeza de que vou sentir paz.
Vinte-e-quatro são as horas de indecisões e arrependimentos que permeiam o coração um tanto duvidoso quanto ao vindouro. Elas se esvaem como areia entre os dedos e eu pareço ficar à mercê de ansiedades e medos. Não lembro mais daquela menina peralta que se escondia por entre os becos da mente, brincando com questionamentos, e me fazendo sorrir. não.lembro. E fico tentando procurá-la, principalmente por entre as frestas do dia. da noite. da madrugada. Não a encontro, parece ter se esquecido do lugar a qual pertence. Perdeu-se. Mas acho que até entendo, pois dei lugar à ociosidade do talvez às suas certezas de felicidade, ainda que momentâneas. mas.que.me.faziam.bem.
InConStânCiaS.
À memória, só vem mesmo aquela menina zangada que, (mesmo) depois de me dizer tantas coisas, questionando, incomodando, fazendo doer a ponto de me convencer do contrário, insiste em não adormecer. Ao menos uma, dessas vinte-e-quatro, que são as horas.
Desconheço AutoriaAntes mesmo que a aurora tarde e a minha pele já não pressinta o que a noite traz, quero ser essa de mim que há muito não é e desconheço. Quero poder deserdar as dúvidas e plantar um tanto de sementes que trago no bolso do casaco: de desejos, de futuros e de amor. Antes mesmo de pensar em brotos, que eu possa acariciá-las junto ao peito e regá-las com uma ultima lágrima do que até hoje não pude ser talvez por não saber. E que, até crescerem, quem sabe antes mesmo da próxima estação, eu junto me reinaugure, sonhando de novo e de novo, adormecida debaixo da sombra do secreto.
Desconheço AutoriaSe o gato não correr o risco de pegar o pássaro, ele vai sempre ficar pensando no que poderia ter sido se ele tivesse ao menos tentado. Ou ele vai ficar feliz porque tentou, ou frustrado, porque só olhou uma oportunidade e não se arriscou.
Eu me vejo como esse gato, saltando para os meus objetivos. O destino é incerto. Então prefiro saltar de olhos entreabertos. Porque, se fechados, perco o foco. E, se abertos, lembro do medo.
Gato em frente ao pássaro de olhos entreabertos pronto para saltar.
Essa sou eu. E feliz. :)
Pedro Gilberto - Composição I - Lagoa se Santo AndréSe eu fosse dizer onde gostaria de estar agora, com certeza não seria aqui. Talvez num lugar calmo, com pessoas diferentes, que pensassem e fizessem coisas também diferentes. Mas, se a vida me colocou onde estou, é porque tenho coisas a aprender com isso. E, no momento certo, ela vai me levar para o lugar onde devo ir, e com quem devo estar.
Me disseram que Deus só precisa de um instante para mudar nossa vida. E acho que a gente precisa também de apenas um instante para pensar diferente. Se o instante é agora, então vou fazer coisas bonitas, amar quem eu amo e sorrir para quem dá valor às simplicidades da vida.
Quanto tempo dura um instante, feliz ou triste?
Quanto tempo dura um instante?
Às vezes prefiro que o tempo voe, para que tudo passe o mais rápido possível na minha vida, esses são dias de ansiedade, que não me acrescentam muita coisa, a não ser um conformismo por não ser como queria. Gosto mesmo é quando entendo o tempo como algo bom e que demora a passar, da brisa que sopra e vai tatuando em mim novidades esquecidas, ou surpresas agradáveis. Esses são dias de expectativas boas e que me fazem pensar diferente. São nesses que resgatamos as boas lembranças e as mais aconchegantes esperanças...
Sei lá, elas ficam como que presas num espaço de tempo só nosso, que cultivamos com carinho e um sorriso nos lábios. Como se entre a realidade e o sonho existisse um caminho estreito e bonito, onde só vemos quem amamos, e quem gosta e torce realmente por nós.
Daí viver vale a pena.
Independente dos dias.
São muitas as pedras no caminho, e sentimentos não correspondidos que, de tanto saber que não me fazem bem, mas alimentá-los, talvez por fraqueza ou medo ou o me sentir pequena demais para superá-los, petrificam-se.
E acabamos por nos perder numa imensidão de dificuldades, e obstáculos, e lutas, que não vemos sequer o prefácio de uma solução que está ali à nossa frente, mais perto do que imaginamos...
Há pedras que vem para nos tornar fortes, outras, porém, apenas para nos fazer perder tempo, enquanto poderíamos pensar além.
Então, ao invés de guardar todas elas para, futuramente, erguer um castelo, onde as paredes seriam os meus fracassos, lágrimas, erros e sentimentos que não desejei, prefiro junta-las no bolso do casaco e seguir rumo a um mar chamado esquecimento.
Que pedras levar consigo?

A onda encontra obstáculos, mas, mesmo assim, não se deixa vencer por eles. Ao contrário, transpõe com toda a sua força, pois sabe que, lá na frente, encontrará coisas outras, como a chance de poder achegar-se à beira da praia e lamber os pés dos românticos, ou de trazer consigo conchas e bichos do mar que precisam dela, ou de, simplesmente, viver algo diferente.
...
Afinal, o que seria da onda, caso se conformasse com apenas o profundo... temendo o difícil... não sabendo o que a aguarda... descartando a margem?!
Acho que se reduziria a um amontoado de gotas de solidão.
E que venha 2007.


Desconheço Autoria
Ele se revira todo, e nenhum som é capaz de despertá-lo desse sono profundo, como se estivesse muito cansado do dia, das horas que se demoraram, da vida... Então, ele simplesmente chega, olha-me de soslaio e deita-se para, daqui a pouco, (acho que) começar a ser permeado por sonhos muito loucos, de forma que se debate e fala sozinho. Não sei se é comigo que sonha, ou se com os seus fracassos e solidão.
Mas ele não está sozinho, ele tem a mim, que ouço e fito-o demoradamente, tentando descobrir de que é feito, e o quanto sou feita disso, sendo sua matéria boa parte do meu querer-ser. Então, permaneço quieta, já que não há lembranças, ou sonhos, ou qualquer coisa que o faça sair desse lugar que parece ser agora um bom espaço para o seu descanso diário.
Eu queria que fosse o provável, mas é o impossível que dorme na minha cama, debaixo de lençóis brancos. E, por acaso, deveria eu ter coragem para acordá-lo? E, por acaso, tu terias?
Desconheço Autoria










Concordo mesmo com tudo isso. Se as lembranças deveriam ser o que de melhor habita em nós, no sentido de fazer com que um sorriso brote da face, por ter vivido algo da melhor maneira, de que vale desenterrar aquelas memórias de dor, lágrimas e faltas do que não se teve?
Tudo bem que nem sempre o vivemos intensamente, mas valeu a tentativa, o esforço... agora, ficar remexendo uma ferida de perda ainda mal cicatrizada, vale mesmo a pena? Sei que nos completa, ainda que momentaneamente, aquela autoflagelação consentida, mas, e o depois? E o incômodo até que volte a se recuperar?
Não sei, já cultivei muitas coisas doloridas, e já as reguei com muitas lágrimas. Mas hoje, prefiro acreditar e viver esperando que desabrochem apenas aquelas que me acrescentem esperança, que me encham os olhos, e o coração.
E as outras, que só machucam, não me fazem bem e me impedem de viver o melhor da vida, prefiro deixar que sejam levadas. Pelo vento... pelo tempo... por qualquer coisa.
Imagens de Paulo Medeiros.
O texto todo da Leila, aqui.

Ao invés de ficar dando brechas a tantos por quês, preferi, por esses dias, apenas escancarar as janelas e admirar o tempo passar.



