Não faz nem meia hora que acabou a chuva e a luz voltou. Choveu muito, com aqueles trovões bem altos e raios que clareiam tudo, duas coisas que eu tinha muito medo quando era criança, e, confesso, até hoje me assustam. Daí eu ia correndo para a cama da minha mãe e aí sim eu conseguia dormir. A cadela ficou com medo e veio para perto de mim, e eu a acolhi, como já fizeram comigo. Fazia tempo que não chovia tanto assim e dessa forma. Tive até que fechar o vidro da janela, para não molhar dentro de casa.
Chuva com vento, que toda hora mudava de direção, raios, trovões, mais raios, mais trovões. Me veio tanta coisa à cabeça, tantos pensamentos, e eu ali, à luz de uma vela, lidando com todos eles. Sei lá, sobre da vida, sobre as coisas que aconteceram, acontecem, acontecerão... pessoas, lugares, sentimentos... muita coisa.
Daí depois eu fiquei torcendo para que a luz voltasse logo. E agora fico pensando no amanhã... já sei! Amanhã, assim que eu acordar, vou abrir a janela e ver como será o dia, essa mesma janela que me protegeu dos fortes pingos hoje, amanhã vai se abrir para o sol, porque não dá um dia mais lindo do que aquele depois de uma tempestade. Amanhã então o dia vai ser assim: com passarinhos celebrando o sol, com a grama reluzindo verdinha, com as flores se livrando dos pingos da noite, com a vida sorrindo. Amanhã, eu tenho certeza, o dia vai ser lindo, inclusive dentro de mim.
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Update: o dia depois de ontem...
Amanheceu assim...
... e, por dentro, igualmente azul.

















Lá, longe de tudo e de todos, distante do que me sufoca, o mundo é tão maior, o meu sorriso é tão mais brando, o meu pensamento tão diferente...
E eu só tive mais certeza de que o que tem que fazer sentido não é o coração e as palavras dos outros que, muitas vezes, mentem, fingem, passam uma vontade desesperadora de ser feliz, acabando por deixar transparecer a tristeza interior. O que tem que ser o nosso norte são os sentimentos verdadeiros e sinceros, que re-nascem a cada manhã. E cada um sabe quais são.
Às vezes nem é preciso estar tão longe assim, basta sair para admirar uma paisagem diferente. Ou melhor, muitas vezes o ``estar longe``resume-se a fechar a porta do quarto. Daí tudo começa de novo a fazer sentido.
Às vezes, só longe e sozinho é que a gente consegue medir o tamanho que somos, as coisas que temos, e a dimensão daquilo que podemos vir a ser.


















