2005/05/28

Do pouco


Marília Campos

Porque as coisas têm que ser vividas dando-se um passo de cada vez. As momentaneidades de nada me servem. O que acrescentam palavras doces agora, quando precisei delas realmente semana passada? E essa mão que me afaga durante minutos, horas, quando penso em permanências? O limiar de um sentimento novo e indeciso que brota, é abafado por breviedades. E isso é muito fácil, e eu nunca gostei do que é fácil. O beijo de agora não deveria ser visto como apenas um lapso de saudade...
Quando adivinho algum nome ou olhos no espelho do meu coração, é porque penso na seriedade e na realização de tudo o que um dia foi idealizado e que, enquanto presa a lágrimas e mágoas, não permiti que se tornasse realidade.
O adeus sem saber se tem volta não me faz bem.
E a saudade infinita que não é saciada também não.
E eu não vivo de pouquinhos.

Acho que é isso.

2005/05/15

Outro Ângulo


Erik Reis - Gota de Orvalho

O que acontece é que muitas vezes tentamos encarar as coisas de um ângulo menos racional, menos egocêntrico. A verdade é que o calor de um abraço bem dado, acompanhado de uma palavra doce ao ouvido, não pode ser tão distante, a ponto de nos fazer enlouquecer. Perdemos-nos num tempo que não espera e que, a cada dia, revela mais um pouco das pessoas que nos cercam. Às vezes a ausência de atitudes é apenas uma forma de não demonstrar o que realmente queremos, como se não quiséssemos nos machucar ainda mais.

A busca por um horizonte menos incerto e a vontade, que chega a ser incontida, de voar abraçada com o amor, me levam à beira de um trampolim de dúvidas e ausências. Cansada de ouvir meias verdades, fecho os olhos e, ensaiando um sorriso nos lábios, transbordo em idealizações. Salto e, ainda de mãos dadas como sonho, espero por algo que ao menos tangencie as linhas de meu intrínseco desejo.

2005/05/12

Minha sobrinha




Oi pessoal, essa é minha sobrinha. Nasceu dia 9/05 e é uma linda, né? Algumas fotos dela para vcs. Eu tbm acho essa chupeta um pouco grande, mas fazer o quê. Ng quer mais saber de mim, nem me ouvem mais. :P

Digam todos: OI Ana Luisa!

2005/05/05

Durante a noite


Policarpo - Nu

Virou-se e pôde ver a luz da lua revelando-lhe a calma de um céu que, apesar da escuridão, tem a companhia das estrelas. Percebeu que a ausência de atitudes, ou a escassez de pensamentos encorajadores norteiam o caminhar do seu sentir impotente. Estende então as mãos e pode, por quase um segundo, tocar o silêncio de noites confusas, vagas...
Conforma-se e volta a cerrar os olhos, indagando o motivo pelo qual obrigou-se a digerir esperas e interrogações.

2005/05/01

Aventurar-se

"Não brinquemos com o amor, e não deixemos ninguém pensar que estamos interessados nele quando não temos a menor intenção de ter com ele um relacionamento. Não usemos o namoro como forma de diversão. Algumas pessoas buscam o amor porque desejam uma aventura. Se você é assim, vá ao playcenter e dê uma volta na montanha russa."

David Park

É isso.

2005/04/24

Dos erros e finais felizes


...
Geoffroy Demarquet - In front of nature

Eu sempre me arrisquei com a cara e a coragem, sem medir as conseqüências. Sempre quis ser órbita inconstante do meu próprio universo, sem ligar para o resto. Daí, quando errei de novo, quis por a culpa em alguém... E claro, não encontrei ninguém, senão eu.
Talvez esteja condenada a cometer sempre os mesmo erros, como se a aprendizagem fosse desnecessária para caminhar com mais cuidado. É isso.
Mas eu sempre acreditei em finais felizes.
Não sei por quê.

2005/04/15

Na pele



Nuno Ferro - Na tua pele

Se a indiferença se encontra tatuada na pele, de modo que por mais que implore por atenção ou atitudes, elas inexistem perto da imensidão do meu gostar, então desisto de ser lúcida.

2005/04/09

Da tempestade



Wave over boat

Porque todas as vezes que penso em abdicar de sentimentos que não são bem-vindos, tampouco me trazem tranqüilidade, vejo à minha frente uma tempestade. São ondas de insegurança e medo que me fazem indagar se a permanência nesse espaço é a melhor saída. Como se a chuva fosse norteadora de sentidos, ou o tocar desse vento uma razão suficiente para desistir. Porque é sempre assim: quando se quer algo, mas não se tem certeza, a segunda opção agiganta-se diante de sorrisos e sins. Lanço-me então no vazio dessas gotas, sem saber para que direção apontar as velas. De olhos vendados, para talvez não ver a monstruosidade dessas ondas, ou a bela paisagem que se descortinará ao final de tudo isso.
Aquela que me espera.

2005/03/29

Do de fora



Adownn

Há momentos em que deveríamos apenas deixar que o coração palpitasse segundo deseja, sem que interrompamos seu embalo diário. Os pensamentos são vários, as dúvidas traiçoeiras e o calar vai costurando na pele um bordado sem sentido. Às vezes eu queria deixar de ouvir tantos silêncios aqui dentro, mas saber que as vozes de fora gritarão apenas dúvidas e desistências, não me faz bem. E, como não me acostumo com nada disso me perturbando e me impedindo de ouvir o sussurro do coração, absorvo-me num calar initerrupto, ou num olhar que indaga até quando, até onde? E limito-me a avistar um mundo onde o canto dos pássaros embala, o beijo dos brotos basta e a melodia do coração me encoraja a viver nua de impaciências, coberta de vontades e infinitos.

2005/03/22


Do pôr-do-sol, do silêncio e do que não gosto

Foto: Helena Maria Milheiro - Mulher

A vida tem me mostrado interrogações que eu já sabia que um dia iriam aparecer, mas não as respostas... que sei onde encontrar. Mas receio de que sejam somente nãos. Então espero, respiro dúvidas e silencio. Não sei até quando viver assim... Acho bela essa ação de viver o que tenho agora. Mas gosto de pensar adiante, gosto de tentar ver um pouco mais além, ainda que esse adiantamento me cause tristeza, não sendo o que esperava. Por agora, é belo esse pôr-do-sol, mas não me diz muita coisa... Apenas que a noite se aproxima, e com ela o frio de que não gosto, me fazendo lembrar o abraço de que necessito... ou então das estrelas que gosto tanto, e da lua que não canso de admirar.
É infinitamente melhor a inconstância das flores, o sussurrar do vento nas tardes de impaciência e impossibilildades momentâneas, do que o silêncio dos cemitérios, a quietude dos casulos... Certo, as vezes é necessário ser quieto, mas a vida em quietude acaba tornando-se um marasmo sem sentido, uma calma aborrecedora...
E. Eu. Não. Gosto. Disso.

2005/03/12

DOIS DEVANEIOS POSSÍVEIS - OU NÃO -

- É possível?

- Possivelmente.

- Ou impossível?

- Há possibilidades.

- Será o possível impossível?

- Muito possível.

- E o impossível é possível?

- Pouco possível.

- Ou a possibilidade é que impossibilita?

- Talvez seja possível.

- Acho possível.

- É impossível?

* * *

- Agora diz uma coisa possível.

- Amar alguém e o possuir.

- E uma pouco possível.

- Alguém que ama a quem possui.

- Outra extremamente possível.

- Possuir e não amar alguém.

- Uma totalmente impossível.

- Não amar alguém e não o possuir.

- Outra mais ou menos possível.

- Alguém que nunca possui a quem ama.

- E uma possivelmente possível.

- Amar alguém sem nunca o possuir.

Por Fábio Fabrício Fabretti

Simplesmente lindo isso!

2005/03/08


Eis-me aqui, descuidadosamente à beira, tentando saltar tantas e tantas vezes, sem saber que rumos, que futuros me aguardam. E tudo isso me chega manso, suave, acompanhado pela brisa e a ilusão que insisto em cultivar. Esmorecer em sonhos, em divagações, em passados redescobertos... Uma apática carência de rosas encharcadas pela chuva, que ainda não findou-se, preenche pensamentos. Uma momentânea solidão chora e resmunga, interrogando o tempo que foi-se, necessário... E embalo silêncios, continuo a entoar inconstantes melodias, até que ouça do coração um sussurro doce e tenro, encorajando-me, fazendo quebrar essa monotonia, essa melancolia que é deparar-se e permanecer em constante estado de sofreguidão, dúvida, esperança e uma suposta ou inevitável felicidade por renascer.  Posted by Hello

2005/03/02

Rasgando silêncios


Marilia - Intimacy

Desconheço qualquer sinal de vontades ou limites que me impulsionariam por esses trilhos que destinam ao desconhecido. Que final me espera? Que futuro me aguarda? O medo interrompe esperanças e acaba por trancar cadeados que libertariam ou simplesmente deixariam a liberdade de escolhas... sei onde estão as chaves. Tenho a fé no surreal como um passo a ser dado, um caminho a percorrer. Mas como não sei mais de mim e agora apenas me intuo, proibindo-me de ver além de qualquer palmo que não esteja defronte aos meus olhos, prefiro continuar rasgando esses silêncios em tiras, pequenas tiras...

2005/02/25

Do viver assim

Não tem sido fácil viver de pouquinhos... mas eu não quero me perder novamente no mundo das idealizações que não me levam a nada. Tenho tentado me encontrar nos cantos do dia, na ordinariedade das coisas... nas frestas, nos cacos do espelho... não, não tem sido tarefa fácil me desvencilhar de saudades e arrependimentos, para seguir ao encontro de algo que sei ser melhor, que sei me fará entender o por quê dessa confusão... Questiono a razão de ter de me espetar com espinhos para poder sentir o aroma da flor mais de perto. Acho que seria melhor isso de longe, de fora... Mas não, sempre quero chegar perto, e me arriscar, e tudo mais...
Faz frio, e o vento arrepia-me. Mas sinto, vezenquando, um bafo quente ao pescoço, algo que me aquece e conforta por pouco tempo... não, não quero isso, não quero assim...
Quero um abraço que me envolva e aqueça por definitivo. Um sussurrar que me conforte. Uma mão que eu possa segurar. Mas é triste consentir com meu coração espalhado por aí, a pele gélida, a boca seca.
Quero encontrar, nos pontos de interrogação, as respostas do que questiono tanto... Não sei até quando devo... Limito-me. E isso vai machucando aos pouquinhos... e mais uma vez grito, mas só ouço ecos. Ecos chorosos de algo perdido, do coração. Então conformo-me. eu. perdida. em lugar algum. À espera

2005/02/21

Da situação


Albany04 by Leite de Creme

Não estou reclamando da minha situação para ninguém, nem para mim mesma, eu estou apenas questionando o por que de tudo isso ser instável, e nunca saber dessas respostas. Existe algo aqui dentro que sente fala, que balbucia qualquer coisa que nem eu entendo, que deseja qualquer coisa a mais do que isso. É constante essa fase, onde disputam lugar aqui dentro a saudade e o seguir adiante, as lembranças e o esquecimento. Por vezes resolvo abdicar de tudo isso e tento pensar em algo menos confuso, menos incerto. Consigo, mas logo voltam a nortear esse sentir impotente, as mesmas guerras, as mesmas lutas. Ninguém vence. Todos são uns derrotados que estampam na cara apenas um sorriso de fracasso. Não sei até quando isso vai durar. Quando é que irão tomar conta de que é inútil tudo isso. Eu apenas espero, que se decidam sozinhos, já que a minha voz é apenas mais uma que grita.

Existe um espaço perdido entre o meu coração, emotivo, e a minha mente, racional.
E eu me encontro exatamente aí... Não fracassada, não derrotada.
Perdida, simplesmente.

2005/02/12

Deserto


Steffen Drache - Pearls

E eu,
que espero
por um abraço teu
e pelas
tuas palavras
a inundar
meu coração,
acabo
deserto.
Longe do
teu corpo
e do teu
abrigo,
sou apenas
uma gota
que evapora,
findando-se.
E,
à espera
dos teus beijos,
fico aqui,
sibilante,
à mercê
da
solidão.

2005/02/03

Das palavras


Impaciência
Incapacidade
Receio
Dúvidas
Ilusões
Distâncias
Medo
...
...Silêncios...

Tantas palavras estreitando caminhos, norteando o meu sentir confuso...

2005/01/18

Muralhas


Paredes - Marvao
Me banho de delicadezas e paciências que há tempos me faltavam, pois há deliqüescências, há necessidades. Se de calmaria e sossego surgissem muralhas, confesso que daqui erigiria uma torre onde lá do alto poder-se-ia ouvir meus sussurros. Mas não assim se fazem pedras ou construções. Não assim se alcança o que se deseja. É buscando nos espaços vazios o injustificável que, vez ou outra, acabo encontrando pedaços de mim, dos cacos que restaram quando quebrei o espelho que me refletia. Não há ódio, não há raiva, não há vingança. O que existe é apenas um reflexo que tornou-se confuso e inexplicado, mas que aos poucos brota, perfeito e novo, do silêncio que já não cabe mais em mim.

2005/01/07


Amanda Keys - Balance

Acredito mais em mim
Sei o que quero
Mas às vezes me sinto assim
Insegura.
Medrosa.
Errante.
Arrependida.
Mas tudo bem
Se cair
Não importa
,
Eu levanto.

2005/01/03

Para o ano que chegou...


Foto by Marilia Campos

Que esse ano tenha gosto de simplicidade e seja repleto de bons momentos... inesquecíveis. Que ele tenha a delicadeza de uma pétala e o cuidado dos espinhos. Mais acertos. Mais valorização. E que eu possa chegar, ao fim deste, sorrindo por ter vivido 365 dias de aprendizado e felicidade, e não a dor dos abraços de arrependimentos e solidões... ocos.

E para os que me visitam: saúde, sucesso, amor, oportunidades, etc etc etc... :)