2005/11/18

Olhar


Sophie Thouvenin - The street

Inventei olhos de verão, onde as coisas são preenchidas por um colorido intenso, mas que ao mesmo tempo não ofuscam. Olhos de dúvidas, mas também de inquietude pelo que está por vir nos dias em que me torno incapaz de traduzir sentimentos em palavras.

Inventei esses olhos para não ser mais apenas uma alma que anseia por amar, mas para ver as coisas diferentes, ainda que agora pareçam pequenas, sob um novo prisma, em que se tornam tal qual o meu desejo, ou bem maior do que eu poderia imaginar...

Inventei olhos de novidade, mas eles não piscam, de tão encantados com a cor da felicidade que nasce e morre, nasce e morre e míngua num coração de primaveras e outonos, ou verões e invernos, não sei. Coração sem estações definidas, mas que, a cada amanhecer, se descobre maior ainda, a ponto de mal caber no vasto espaço dos meus sonhos recém-nascidos.

2005/11/07

Os primeiros dias eram lilases


Davisu - Hojas Lilas

Eram lilases aqueles dias que eu me imaginava brotando nuns braços de paz, que me trouxeram aconchego e harmonia. E, à medida que a tempestade se apaziguava, abriam-se as janelas que agora apenas lacrimejavam gotas da chuva de ontem. Tão simplórias. E sutis.

Naqueles doces dias de céu rabiscado por finas nuvens, não existia mais tormenta, tampouco a solidão, que agora cabia entre os dedos, de tão pequena e inútil...

Durante aqueles dias eu sorri um sorriso de inocência, e ouvi, naquela voz, uma melodia singular. E, ao redor, a batida dos nossos corações, que se esqueciam de tudo o que pudesse causar impedimento de desejos. Ele me mostrava seus sonhos, e eu me encantava com a delicadeza de suas marotas novidades.

Lilases eram aqueles dias que eu pensava estar começando e me deixando amar.

2005/11/01

2005/10/24

Ainda que. Ainda assim.


Bjoern Oldsen

Ainda que eu pudesse decifrar os silêncios que, lentamente, vão lapidando a memória, não poderia esquecer-me daqueles sonhos que um dia me mostraram amplitude...
Ainda que desabrochasse em pétala suave, regada pelo orvalho de uma noite tênue, não poderia apagar aqueles transbordamentos em novidades...
Ainda que a mesmice dos dias me revelasse a suavidade do tempo e a beleza dos pássaros, não apagaria as pegadas de arrependimentos e aprendizados que me fizeram chegar até aqui...
Ainda que um tempo de calmaria pousasse sobre a pele, ou o destino me revelasse uma paixão estarrecedora, que me permitisse tocar o etéreo e o fugaz...

...Ainda assim escutaria, perfeitamente, o lento bater de um coração cicatrizado, que se aconchega e reinventa os dias por detrás do leve peso dos seios.

2005/10/17

Depois da Curva


Daniel Cody

São as curvas que me fazem ter esperança de novos caminhos. Mas, ao mesmo tempo, temo-as, porque, enquanto indicam transição a um novo momento, outras vezes me amedrontam, pois podem machucar.
Mas foi bom passar por todas as curvas até agora. Está sendo.

Não sei bem o que vem depois de mais essa. Mas gostaria que fosse uma paisagem ainda incerta, mas com menos por quês, e mais sonhos realizados.

E você? O que acha que tem depois da curva? Ou melhor, o que vc QUER que venha depois da curva?

.

2005/10/10

Verdade não dita ou Mudança ir-reversível


Júlio César Ferreira - Banco de jardim

Quando da verdade que precisa ser dita olho a olho, cara a cara, decidimos, algumas vezes, deixar que o tempo dite o caminho certo a ser tomado, talvez para não ter de arcar com tamanha responsabilidade. Mas é angustiante ter de se conformar com silêncios, quando se queria tudo simples e claro. O se habituar com palavras que não vêm, seguidas de atitudes também confusas, instiga-me a simplesmente continuar sem querer saber das respostas.
O inevitável, então, grita aos ouvidos, desejando que não viva de interrogações, e uma ilusão alimentada por talvez ou quem sabe: ácidos que corroem desejos e esperanças...

Entristece-me ter de ocultar sentimentos simplesmente por que decidiram que vai ser assim, e eu não fiz parte disso.

O que resta, então, é um banco solitário, o final da tarde, o sol despedindo-se de mais um dia abafado, e eu, pensando no que poderia ser re-feito.
Mas não adianta. Outras coisas agora fazem sentido. Enquanto muitas, de estagnadas, tornaram-se irreversíveis.

2005/10/05

Do que não faz mais sentido ou Dias que não são bem-vindos


Cristina Carriconde

Quando um dia triste vai se moldando na minha janela, eu me lembro das coisas que perderam o sentido na minha vida. Acho que a partir do momento que a vontade de estar só é maior que o prazer de uma companhia, ainda que momentânea, já não vale mais a pena esperar por algo incerto e vago. O dia vai nascendo e eu fico tentando fazer com que nasça em mim aquela menina paciente, que desabrocharia, de tão simplória crisálida, a tons de plenitude, com asas a admirar novas paisagens, pores-de-sol, horizontes...

E, enquanto me esforço para isso, acabo por abstrair as interrogações desse dia que ainda não sangrou todas as amarguras, ainda não mostrou todos os obstáculos, ainda não chorou todas as dores de solidão...

O dia triste vai se revelando e, ao mirar mais um sol de calmaria, posso perceber no peito o palpitar desconcertado de um coração que tenta entender e se conformar com essas perdas.

Não há sentido. Em muitas coisas. Mais.

2005/09/26

Eu e o Amor, sempre o Amor: Eterno Paradoxo


Pedro Gomes - Presa nas riscas

Eu fico tentando relembrar aquelas vezes em que a ilusão de que as coisas que eu queria pudessem ser concretizadas. Mas, ao mesmo tempo, eu não sei como, nem onde, nem por quê ando pensando nisso. E dessa forma. Hoje, é como se eu preferisse a realidade estampada na cara, ainda que me entristeça, a ficar rodeada de outras coisas que não me deixam dar um passo, como a certeza de um sentimento...

Eu adio o meu gostar, e deixo pra depois o meu amor... Desvanesço.

E, com isso, eu permito que a vida vá me mostrando, aos pouquinhos, como sempre deveria ter sido, umas coisas mais importantes do que essas ilusões agigantadas. E acabo sempre naquele paradoxo: eu, tentando me aninhar numa escuridão qualquer, para aprender com o silêncio, e o meu corpo, insistindo em amar.

2005/09/20

Últimas, penúltimas, antepenúltimas...


Jorge Garcia - Ondas de paixão

Ultimamente eu prefiro pensar no que não poderia ter sido se eu não estivesse pensando assim.
.

E você, no que tem pensado?

2005/09/14

Janelas da alma ou Semi-cores


Antônio Manuel Pinto da Silva - Cores do Outono

No quase entardecer, justamente naqueles instantes pouco prováveis e abstratos, porém supremos, nos quais lembramos que a noite está por vir, e com ela aquele sempre retorno ao preto e branco e à masmorra dos silêncios in-traduziveis, ou que pensamos em improbabilidades... É justamente nessas horas em que rogo por alguma sabedoria para driblar o inconstante e o acaso, como se fossem os únicos de uma mente absoluta porém insana. E o fato de não me sentir bem com as situações, ou adversidades, ou obstáculos que impedem sossego, não tem feito com que acredite apenas em talvezes.
E, já me sabendo ancorada nas linhas do destino, esse não sei quê a me consolar, é que escancaro as janelas diante da parca tarde, contemplando o horizonte semi-colorido dos meus desejos.

ps: Obrigada àqueles que compareceram no dia do meu aniversário! ;)

2005/09/11

Meu Aniversário


Thaline - 6 anos

Ééééé menininhos e menininhas, essa que vos escreve já foi assim, uma gata!
Mas o tempo vai passando né... fazer o quê! :P

Mais um aniversário que tem, nos olhos, ainda dúvidas, temores, mas também o aprendizado e o amadurecimento. Mais um aniversário em que coloro o céu de esperança por mais um ano em que os sonhos re-começarão, ainda mais belos. E o meu desejo é que a poesia nunca se acabe em mim, florescendo a cada nova vontade de traduzir-se em palavras. E que os meus braços estejam sempre estendidos para o abraço da lua, o beijo do sol... e os meus olhos sempre abertos para novas descobertas.

Que esse dia 11, em que completo 21 anos, reinvente tudo aquilo que fui, que sou e que serei.

Yeahhhhhhhh!!!

2005/08/31

O fruto proibido


Antônio Manuel Pinto da Silva - Uma simples maçã

- Quer um pedacinho, Adão?
- Mas é pecado, Eva!
- Pecado é deixar apodrecer.


-FFF-

eheheheehehehehehehehehehehehehehehehehe
¬¬
;P

2005/08/30

Para Ela

André Luís de Almeida - Miolo de flor

Menina de 5 anos levanta os olhos da folha onde desenha e pergunta:
- Mãe, o que é amor?

- É uma coisa imensamente boa, a melhor coisa do mundo, não se acaba nunca, é cada vez melhor, deixa a gente feliz, feliz, feliz, faz bem. É tão bom que a gente nem consegue explicar, só sentir.

- Mãe, amor é tu?


By Ticcia

Para homenagear a minha. Que faz aniversário hoje.
E dizer que eu sou completamente apaixonada por essa pequena grande mulher. ;D

Yeahhhhhhhhh!!!

2005/08/15

E.s.p.e.r.a.r = C.a.n.s.a.r.-.s.e


Sombra de prata - Amor à vista

Esperar causa transtorno. Confusão. Cansaço. O estranho não é você acordar e viver mais um dia esperando pelo que quer, fingindo não estar preocupado quando, na verdade, está tão ansioso que só pensa na concretização dos teus desejos. Mas é a vida não te dar, ou não devolver o que te pertence, sem te fazer refletir muito para não errar de novo, nos mesmos lugares.
Esse aprendizado forçado, esse tempo que não passa, esse perguntar se essa aflição consentida vale mesmo a pena... Isso é que é estranho.

Mas eu estou aqui.
E.s.p.e.r.a.n.d.o.

Mas não é fácil... não é fácil.... é estranho...

2005/08/12

Despedida a um amigo.


Luis Lobo Henrique - Vôo 15

É triste ter que se despedir de alguém sem olhar nos olhos. E receber notícias repentinas tb. A vida tem das suas. As coisas não aconteceram como previstas, e hoje um amigo me avisou que está de partida para Aracaju terça ou quarta. E que talvez eu não tenha a chance de me despedir pessoalmente.

É triste não poder se despedir. É triste perder alguém assim. E é mais triste quando a vida te traz essas surpresas que não são bem-vindas. Mas ele sempre vai continuar sendo aquele homem por fora, porém um pequeno menino que cabe na palma da minha mão.
Sensível e que precisa ser tratado com cuidado.

Ser especial não é para todos. E você é para mim.
Rafael. Coração. Meu amigo.

Mas ele vai ser feliz. Ele me prometeu...


:/

2005/08/07

A realidade que eu não queria encarar/dia inexplicado


By Leite de creme

Eu entendo que a gente não pode esperar tantas coisas assim das pessoas. Mas eu não entendo o que faz o meu coração silenciar tanto assim... Eu entendo a minha ignorância. Mas não essa indecisão estampada na cara...

E os meus olhos aqui, cheinhos de lágrimas. Mas nenhuma ousa cair.
.
.
.
As minhas lágrimas são covardes, porque só chegaram até a beira dos olhos. E eu, tola, porque sou só mais uma romântica, que insiste em amar.

ps: essa foi a última vez que fechei os olhos para não te ver tão mais feliz sem eu... a última vez... eu prometo.

2005/07/27

Agora sim, foto de gente bonita!



- À esquerda: um banho
- À direita - no colo de quem a ama...


Analu está com quase 3 meses. Gosta muito de ficar no colo de alguém. No carrinho, ela chora. Porque é perto e junto que quer ficar, sentindo o calor de quem a quer bem.

Aí ela fica quietinha, observando e descobrindo tudo ao redor. E sorrindo para o que acha que vale a pena...

Sorrir e, ainda que chorando de fome (de leite, de amor, de carinho), ficar quietinha, e esquecer um pouco isso tudo, no colo de quem me ama.

É isso. Quero ser como ela. Quando crescer. :)

2005/07/20

{[(eu)]}


Elaine(Esquerda) e Eu

- Tem gente que não me conhecia... ainda.

- Tudo igual. Só que diferente.

2005/07/13

Minha mãe, paixão e mentiras

Quando eu me apaixonei pela primeira vez, e disse isso para todo mundo, minha mãe disse para eu ter cuidado e analisar se o sentimento partia da outra pessoa também. Eu dizia que sim. Que dessa vez tinha encontrado quem eu sempre procurei. E ela me perguntava se estava indo mesmo com cuidado. Eu dizia que sim.

E foram-se os dias...

Quando não deu certo, quando não agi com tanto cuidado, fui falar de novo com minha mãe. Acho que ela sabia que eu não estava indo com cuidado, mas também sabia que eu tinha que aprender sozinha.

Ela disse que era assim mesmo. Que já havia se apaixonado por alguém e, quando também não tinha dado certo, ela pensou que nunca iria se apaixonar de novo. Mas que o tempo passou e ela se apaixonou. Perdidamente...

Sei lá. Hoje eu posso até pensar que nunca mais vou me apaixonar. Ser capaz disso. Mas eu acredito na minha mãe.

Ela nunca mentiu pra mim.

2005/07/06

Perder-se


Carlos Gomes - Fingertips

O que não pode acontecer é perder-se nas mãos do destino, desligando-se da mansidão do tempo que nos embala. Não devem haver motivos que me convençam ser melhor ouvir lembranças, saudades, passados, para deixar de viver olhando além. Não digo que não devam ser tratadas com o devido valor, mas não podem nortear perspectivas. Afinal, de que vale o grito de uma saudade não saciada? E a momentaneidade de um sentimento não correspondido? Tudo isso te leva a olhar para os lados, ou para trás. E pra quê?!

Prefiro continuar, simplesmente, acreditando serem essas mãos, as que me mostrarão as paisagens mais belas... e o amor.
nada como o. Tempo. para nos encaminhar ao. Destino.

E eu não quero.
Eu não posso me perder...