Ariovaldo Molina Vidotto - O botão da Adália - olhares.comO teu amor foi embora e eu procuro me conformar com isso enquanto o tempo esfrega na minha cara cada uma das tuas mais bonitas mentiras, cada uma das tuas palavras e promessas não cumpridas. Ele joga na minha cara a saudade que sinto, o desejo não realizado, a mão que não segura a minha, o sentimento que talvez nunca tenha existido. Mentira, existiu sim. Mas, enquanto o tempo tenta me convencer do nunca, do não, do improvável, eu sigo e vou me lembrando de um passado não tão longínquo, do quanto a vida era mais simples, do meu sorriso mais aberto, de tudo aquilo que eu pude me transformar para ser hoje. O tempo joga na cara, o corpo não agüenta e uma lágrima cai, mas daí vem a mão (essa mesma que tu não seguraste) e seca, vem o pensamento e me leva a um outro lugar, vem a lembrança de um tempo bom e tudo isso se rende e silencia. Porque a vida, o amor e o desejo de felicidade acima de algo não concretizado, o desejo pelo melhor da vida, isso sim me liberta de nós.































Lá, longe de tudo e de todos, distante do que me sufoca, o mundo é tão maior, o meu sorriso é tão mais brando, o meu pensamento tão diferente...
E eu só tive mais certeza de que o que tem que fazer sentido não é o coração e as palavras dos outros que, muitas vezes, mentem, fingem, passam uma vontade desesperadora de ser feliz, acabando por deixar transparecer a tristeza interior. O que tem que ser o nosso norte são os sentimentos verdadeiros e sinceros, que re-nascem a cada manhã. E cada um sabe quais são.
Às vezes nem é preciso estar tão longe assim, basta sair para admirar uma paisagem diferente. Ou melhor, muitas vezes o ``estar longe``resume-se a fechar a porta do quarto. Daí tudo começa de novo a fazer sentido.
Às vezes, só longe e sozinho é que a gente consegue medir o tamanho que somos, as coisas que temos, e a dimensão daquilo que podemos vir a ser.





