Silvia Roman - Red - olhares.comEm algum momento de um caminho difícil, a vida sorri. E ela o faz quando menos se espera, quando estamos talvez focados em tantos outros objetivos, que esquecemos de parar um pouco e olhá-la. E, ao permitir fazê-lo, ainda que com lágrimas nos olhos pelas feridas que o tempo causou, ela ainda sim sorri, querendo estar perto, junto, como lua cheia que, completa, deseja saciar-nos. E, mesmo que não devolvamos essa pureza, ela continua a acreditar: dentro de nós existem ainda aqueles mesmos olhos largos que, quando gargalham, miúdos ficam. Aqueles mesmos dentes escondidos que, quando se mostram, colorem tudo em volta. A vida acredita sim, ainda que não percebamos, em meio a confusões de sentimentos e lutas...
E quando a gente se permite contemplar, sem graça e encantados, essa ternura singela de seu sorriso largo, chegamos até a esquecer, por um átimo de tempo, de tudo o que um dia já doeu.




































Lá, longe de tudo e de todos, distante do que me sufoca, o mundo é tão maior, o meu sorriso é tão mais brando, o meu pensamento tão diferente...
E eu só tive mais certeza de que o que tem que fazer sentido não é o coração e as palavras dos outros que, muitas vezes, mentem, fingem, passam uma vontade desesperadora de ser feliz, acabando por deixar transparecer a tristeza interior. O que tem que ser o nosso norte são os sentimentos verdadeiros e sinceros, que re-nascem a cada manhã. E cada um sabe quais são.
Às vezes nem é preciso estar tão longe assim, basta sair para admirar uma paisagem diferente. Ou melhor, muitas vezes o ``estar longe``resume-se a fechar a porta do quarto. Daí tudo começa de novo a fazer sentido.
Às vezes, só longe e sozinho é que a gente consegue medir o tamanho que somos, as coisas que temos, e a dimensão daquilo que podemos vir a ser.
