2012/03/20

Definições surreais ou sorrisos à morte do sim

Desconheço Autoria


Mágoa é uma ferida mal cicatrizada que você remexe incessantemente. E isso acontece quando, já não havendo mais motivos para dizer um sim às tuas idéias pouco executáveis, resolve voltar a pensar nas pedras do passado, ou nos obstáculos mal ultrapassados que deixaram marcas de uma dor que não passa.
Magoar é perder-se no pó de palavras amargas, no ácido de abraços forçados, na mesmice de sorrisos que não dizem nada. Entristecer-se profundamente com alguém só te traz infelicidade, e o que era apenas um espinho dolorido, agiganta-se a ponto de tomar conta do teu espírito inerte. Porque feridas não cicatrizadas e remexidas demoram mais ainda para sarar. E você fica ali, olhando-a sangrar, lamentando-se, porque não devia ter feito, achando que o tempo é capaz de encobrir essa dor que não estanca.
E aguarda, mais uma vez, a lágrima do desamor, que a inflama.


Para mim, isso é mágoa: insuficiente, orgulhosa... e dolorida.

2012/03/03

Definições surreais ou da solidão num relógio

Desconheço Autoria



Solidão é um relógio anda vagarosamente. E quando você o olha, parece que o tempo não passou. E isso acontece quando o seu mundo já não é tão grande quanto pensavas que fosse. E não cabem mais neles nem aquelas parcas esperanças. Nada te completa. Nem você. É quando o teu coração, já pequenininho, sussurra que, de tudo o que idealizaste, pouca coisa realmente se concretizou. E agora você está sozinho, cercado pelas quatro paredes da tua alma cansada.

A única coisa desejável seria, então, encontrar aconchego no colo de alguém. Ou no seu mesmo. Porque solidão pode ser consentida. Você almeja se encontrar, para re-colorir as paredes de um tom menos saturado, ou sair do preto e branco.

O relógio quase parado. E você fitando-o. Numa estagnação agonizante.


Para mim, isso é solidão: cansaço, prisão... imobilidade.

2012/02/11

Definições surreais ou da falta que não se quis

Desconheço Autoria

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Saudade é uma criança levada que bate à porta e sai correndo. E isso acontece quando você pensa com carinho no outro, relembrando os momentos juntos, que em silêncio permaneciam, deixando o azulado do céu pintar os sonhos. E, enquanto você vai desenterrando tudo isso, pergunta-se se talvez ele não poderia estar ali, à sua porta, pensando também...
E, querendo re-viver tudo isso, você sai correndo, na esperança de se-lo. Porém, quando abre, depara-se com as mesmas rosas murchas, o mesmo banco e o mesmo portão, que há tempos deixou aberto... e ninguém. Então você o fecha, enxuga lágrimas e recoloca as lembranças nos seus devidos lugares. Daí volta a fingir que sabe viver uma vida distante de quem gosta.
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Para mim, isso é saudade de quem se foi: levada, sorrateira... e triste.

2012/01/28

Definições surreais ou estar em brasas sem sentir

Sun Flower Flames - Ross White


Paixão é um fogo que te queima sem ser percebido. E isso acontece quando a intensidade dos sentimentos é maior que a realidade vivida. É quando se quer mais do que se tem. E você fica tonto, bobo, embriagado de desejos, querendo que sejam saciados naquele momento. E, quando um termina, outro desejo já vem à tona, mal esperando para recompor-se. Paixão enlouquece os românticos. Faz pensar no impossível, e fazer de tudo para torná-lo concreto. Não mede conseqüências, que podem ser desastrosas quando vividas apenas de um lado... e você deixa de viver sua vida, em parte, para pensar, planejar e querer se completar no outro, instantaneamente. E, na vivência de dias e horas que não esperam, o agora torna-se prioridade, e o tempo, um inimigo, porque rápido passa.

Para mim, isso é paixão: impulsiva, imediatista... arrebatadora.

2011/11/06

Sobre os inícios

Desconheço autoria

.Sinto-me menina com frio esquecida no parque, quando todos se foram e já não há mais o palhaço, os brinquedos a rodar, o algodão doce... É noite e não sei para onde ir. Cheguei cedo, mas não sabia que ao final seriam apenas um homem retirando sua pintura e o outro desligando as luzes da roda gigante. O carrossel parado, o pipoqueiro ao longe... é triste essa cena de solidão. Onde está o homem dos balões, onde compro mais ingressos? Será que o tempo de diversões dura assim, tão pouco, que a felicidade se extingue quando as luzes se apagam? Não seria melhor brotar um sorriso pelas lembranças da corrida atrás de uma fila, do tempo de espera, do frio na barriga? Há coisas que não podem ser ensinadas, cada um interpreta à sua maneira. Não sei por que me esqueceram por aqui. Não sei se irão lembrar... Mas espero quieta.


Há um amanhã, e junto com ele, um recomeço, onde eu posso tentar tudo, tudo outra vez.


E amanhã cedo chegará o homem do balão, com novas cores, a esperar pelas crianças, acordarão os monstros do trem-fantasma, a assustar os meninos, despertarão os cavalos, a girar incansavelmente... amanhã de manhã eu vou ser a primeira a inaugurar a minha alegria e a estar aqui vendo, de perto, que a felicidade também está no prefácio das coisas.

2011/08/27

Sobre o foco, a semente e coração

Field of love nature - Desconheço autoria


Às vezes podemos mudar o foco, por um instante, dos nossos objetivos, afinal, são vários os sonhos que nos movem e nos impulsionam a continuar. Antes eu mirava um deles, hoje, já prefiro investir tempo e força de vontade em outro. Mas não que tenha esquecido, é que gosto de pensar que, enquanto buscamos um, o outro nos persegue. A felicidade é a junção desses sonhos realizados, mas também pode ser o processo. Sou feliz enquanto invisto o meu tempo em um objetivo maior. Sou feliz quando penso que, no fim de tudo isso, o quebra-cabeças vai se juntar e tudo vai fazer sentido. E eu vou entender até os motivos mais bobos e porque, alguns deles, demoraram tanto para acontecer. Planto hoje uma semente, mas nunca me esqueci de todas as outras que guardo no bolso, ou que já plantei. Não devemos explicações a ninguém, a não ser para o nosso coração. Só a gente sabe o que já cansou de plantar, o que já cansou de regar, e percebe que é hora de mudar, justamente para que aquela semente, a seu tempo, floresça. Não é perda de tempo mudar o foco enquanto a terra dá o seu fruto. Então planto mais aqui, mais ali, e, na estação que lhe aprouver, as coisas vão acontecer.


Eu não esqueci o amor.
Eu não esqueci de ser grande.

É que essas sementes eu já plantei.


Junto com essa mudança de foco, que eu jamais esqueça de, por vezes, virar um pouco a cabeça e, de soslaio, olhar para trás com o coração ardendo de expectativas, para ver se algo já mudou.
Um dia a vida surpreende, e tudo vai estar florescido.

2011/07/21

É fato

Ainda que tudo diga o contrário, que não vejamos nada diferente à frente, e nos frustremos com pessoas e situações. Ainda que, de súbito, uma sensação de perder-se queira tomar o lugar dos nossos sonhos mais bonitos, e o destino incerto e implacável seja um gigante. Ainda que sejamos engolidos por tudo isso, não podemos ignorar: por dentro, um restinho de algo que acredita nos afaga o coração e diz: 'calma, vai ficar tudo bem.'

2011/06/05

O tropeço numa caixa

Limone/Itália

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Se eu pudesse guardar qualquer coisa numa caixinha, eu guardaria os meus tropeços. Isso mesmo, eu guardaria as minhas quedas, as desilusões, decepções, perdas. Colocaria cada um desses acontecimentos lá justamente porque, se o meu caminho é o que é hoje, se eu sou essa pessoa, não foi porque trilhei um caminho suave, sempre florido, ameno e constante. Não, não foi esse caminho que me trouxe até aqui. Não foram as flores que me moldaram, tampouco os dias ensolarados. Foram as pedras que me fizeram ter um passo mais firme. Foram as tempestades que me fizeram contar só comigo, até a chuva passar. Foram os espinhos que me feriram, mas que cicatrizaram e hoje eu sou resistente. Foi o tropeço que me fez olhar com mais cuidado e adiante. Foram os buracos que me fizeram ser mais atenta. Foi tudo isso que me fez chegar, lapidou.

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Guardo também os momentos bons, mas, quando olho atrás e lembro tudo o que já passei, justamente porque o caminho não é dos mais belos, abro um sorriso, não de canto de lábios, mas largo, porque o amadurecimento também vem da queda. Sou mais forte depois de uma luta. Sou inteira, ainda que tenham pedaços de mim pelo caminho. Se eu pudesse, eu guardaria os meus tropeços no mesmo lugar das conquistas. Porque é a cada pedra, tempestades, espinhos, tropeços e buracos, que eu descubro um novo jeito de existir.

2011/04/10

Igualmente diferente

Ele e Ela!! - Manuel Madeira (olhares.com)

Dia que amanhece nublado. O bocejo do cão amigo. O cantar de pássaros. O gato lambe seus pelos escuros. O som da chuva. O jornaleiro que anda solitário. Pessoas apressadas ao trabalho. Confusão nas folhas da árvore úmida em frente à janela. A brisa que infiltra sobre os poros, dia frio. As perguntas que também acordam, e a necessidade de responde-las. Dúvidas que me cercam logo quando desperto. Certezas que me preenchem ao findar do dia. Dia corriqueiro, preguiça em levantar. A rotina que imprime impaciência. O bom dia. O sorriso que não vem. A dúvida no olhar. O telefone calado. O coração que grita. Um pensamento qualquer de que tudo isso é transitório e apático..


Tudo aparentemente imutável e eu aqui, com uma vontade de ser preenchida de sonho e de verdade, de cores de menina e de mulher, de amor e de singularidades.


Estou inundada de vésperas.

2011/03/20

Sobre a sensibilidade

The way you see life

Ando sensível, e não sei se isso é bom. Ando valorizando as pequenas coisas do dia, ando com uma sede imensa de aprender coisas novas, conhecer pessoas diferentes. Digo sensível porque as coisas mais simples me dão uma lição. Curto cada conversa com os amigos, com os novos conhecidos. Tornei-me mais observadora, mais crítica (mais do que usualmente sou, e não é pouco). Comecei a querer ver mais sentido nas coisas, a entender o que eu pensava que nunca fosse entender, sobre acontecimentos da vida. Comecei a pensar e a me preocupar mais comigo, com meus sonhos. Sensível, não carente, porque tem um abismo entre um e outro. Passei a querer concretizar o que sempre pulsou por dentro, independente de quem esteja ao meu lado. Não é ser individualista, mas tenho que primeiro ser feliz eu e eu mesma, para depois poder partilhar isso com o outro. Não preciso mostrar conquistas para ninguém, porque elas são internas, e poucos são os que têm sensibilidade para perceber. Cada um é que sabe o que um dia já foi, e em quê conseguiu se tornar ao longo da caminhada.


Ando sensível e digo que não sei se isso é bom porque quero que as pessoas ao meu redor também sintam isso. Quero que pensem grande, sonhem coisas impossíveis hoje, cresçam, porém percebo que infelizmente são poucas as que estão dispostas a isso. E isso me deixa impaciente. Por que são assim? Por que são médias? Perguntas que, certamente, não cabe a eu responder. Não sei se é bom querer contaminar as pessoas com a minha sensibilidade. Como convencê-las de que as coisas simples têm um valor imenso? Será que deveria mesmo me preocupar sendo que elas simplesmente não querem? Às vezes só a vida para ensinar.


Andar sensível assim ultimamente tem me ensinado muitas coisas, tem me feito sonhar um sonho mais bonito e com um final diferente. É libertador ter me tornado isso. Sei que é uma fase, que vai passar, mas, enquanto estou nessa maré, quero extrair dela o máximo, o todo, para depois seguir mais leve e com um olhar distinto sobre o que há de vir. São esses momentos de sensibilidade que fazem a vida e o ato de existir, sonhar, partilhar, crescer, e tantos outros verbos, motivos e por quês valerem a pena. E eu estou muito feliz com tudo isso.

Uma felicidade sincera.

2011/03/02

Quando o amor chegar

Words of love - by *oprisco (oprisco.com)

Quando tu trouxeres o teu amor, traga-o por completo. Traz o teu sorriso doce, mas também a tua lágrima de incompreensão quando o teu chão cai. Traz o teu carinho singelo, mas também os espinhos do teu mundo. Traz a urgência das horas, a tua palavra seca ante o medo, o teu silêncio quando a dor fala mais alto. Traz o teu passado, sim, ele é importante, e me diz muito do que és hoje. Traz todas as tuas cicatrizes e não me esconda nenhuma delas, conte-me cada história, o porquê, cada razão dessas marcas na tua pele, no teu coração. Traz que eu vou ouvir, eu vou ouvir como quem decifra o inesperado, o novo, como quem quer ir mais longe do que a palavra, o abraço, o beijo, além. Mostra-me sem receios, porque sei que há de ter muito mais de mim do que penso nas frestas, nos vincos, nas dobraduras da tua alma, e isso é bonito e único. Portanto, traz o teu amor simples, puro, aberto e, sem medos, sem esconderijos, coloca-o diante dos meus olhos e encosta no meu peito os teus dedos, os teus temores e a tua verdade, porque o amor que eu quero viver precisa ser inteiro.

2011/02/22

Do amanhecer

Thaline - Londres - janeiro 2011 - Just thinking

Acordam comigo os desejos, as idéias, alguns sonhos, uns temores, vários questionamentos, um punhado de felicidade, uma pitada de inconformismo, um bom sorriso, incontáveis vontades, muitas palavras para definir-me, mas o amor... o amor... esse adormece.

2011/02/18

Traduzindo.me

Thaline (Paris - janeiro/2011)- o pensamento se esvai

``Tentou num último esforço inventar alguma coisa, um pensamento, que a distraísse. Inútil. Ela só sabia viver.``

Clarisse Lispector

2011/02/09

Novidades

FCor - Olá mourisca (2) - www.olhares.com
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Precisando de novos rumos, um novo horizonte, um novo motivo para continuar a caminhada.
E querendo muito que a vida me sorria durante esse processo.

2011/01/20

O Caminho

Londres

Se já existe um caminho traçado, então qual é a próxima curva?

2010/11/09

Sobre um querer

Diego Freitas - Unopen (olhares.com)

Cansei de paixões avassaladoras, de perder o fôlego e bambear as pernas e não saber mais pensar em nada. Quero um sentimento que vá nascendo devagarzinho, na tranquilidade da palavra, na sinceridade do sorriso, na certeza das horas, na boca de quem diz que gosta e é de verdade, vem de dentro, pulsa no peito. Quero algo que me impulsione a fazer planos, a mudar rotas se for necessário, a arriscar um passo a mais, ou talvez a dar um passo para trás. Quero pedir desculpas quando errar e não ser mal interpretada por isso. Quero também desculpar sem guardar mágoa, sem que a cicatriz fale mais alto do que o carinho. Quero não criar expectativas nenhuma para não me decepcionar, e sim, me surpreender. Porque o amor é assim, leve, pequeno, e vai se tornando um gigante, engole a gente e de repente eu sou o meu avesso, melhor e mais tua. Amor quietinho que começa no abraço e cresce pra não caber mais no mundo. Porque ele nasce assim, sendo plantado, cultivado, cuidado, desejado... daí nos surpreende, mas logo depois a gente entende e se entrega, porque é recíproco, é plural, e porque dessa vez vai valer a pena.

2010/11/06

Poesia - Reynaldo Jardim

O desafio de Gabriel
Reynaldo Jardim

O arquiteto é o engenheiro
da beleza funcional
que tem, como medida
padrão, a vital dimensão humana.
A pássara arquiteta o
ovo em sua forma exemplar
e limpa e pura, portanto,
bela. A lagarta arquiteta
o casulo, onde nascerá
a vida colorida, esvoaçando
seus azuis. O cupim arquiteta,
enquanto constrói seu
megalítico edifício com
milhares de compartimentos
e labirintos infindáveis, intricados,
que só ele decifra, percorre,
corre e ama.
A aranha-arquiteta teia, o
aranhol, moradia e armadilha
geometricamente desenhadas,
resistentes a chuvas, vendaval,
maldade humana.
Deus, arquiteto e engenheiro, em
seis dias arquitetou e construiu o
universo que, apesar de muito
antigo, ainda funciona
razoavelmente bem.
O homem arquiteta pontes,
monumentos, casas de morar e
trabalhar e morrer e orar.
Os outros animais, rastejantes
e voantes, mantêm o mesmo
estilo sempre funcional e belo.
O homem ainda não encontrou
o abrigo ideal para o
sonho e a vida, apesar de
inventar, a cada dia, formas
diversas para ocultar o
desassossego, tumulto e desespero.

2010/11/02

Da dor que ficou

José António - ID-37 (olhares.com)
.
Quando tu foste, habitou em mim uma dor. Em mim ficou aquela lacuna, como uma ferida que emerge dia a dia ainda mais forte, e lateja, e incomoda. (já faz tanto tempo, né?). É que a nossa cumplicidade era grande, o nosso carinho, saber com qual palavra tu terminarias a frase. Sabíamos de nós. Sabíamos de um sentimento bonito. Tu foste e eu, precisando seguir outro rumo, me vi assim, com essa dor toda... e os dias foram passando, a tua falta crescendo, e eu precisando de uma rota diferente daquele caminho que traçavamos. Mais um dia, mais uma espera, mais um vácuo. Até que, no lugar dessa dor, nasceu uma saudade, talvez até maior do que a dor, para ocupar o lugar, tomar conta de tudo. E eu me vi diferente. o mesmo carinho. as mesmas lembranças. a mesma memória que guarda o teu nome e te procura. Porém livre, sabendo do destino que não erra nunca, até para separações. Hoje não sei mais em que pensas, se pensas em mim, ou no que vivemos. O tempo passa, as lembranças ficam espaçadas, e tudo vai se esvaindo... não sei mesmo, mas procuro viver com o que foi bom, o que nos fez ser melhores, até quando nos foi permitido.
Difícil, porém necessário.
.
A dor é, em algum grau, libertadora.

2010/10/06

A pena - que é o desejo -

Sara - Feather me


Tecidas as horas de mais um dia, eu sou um corpo que despe-se das monotonias e rotinas e queda sobre um lençol emaranhado. quieta. permaneço. um desejo, como pena, balança no ar, não sabendo para onde vai, e tampouco se importa com isso. não há mais. vai para lá e para cá e o meu corpo é um peso do fim do dia. repleto de faltas. de medos. de dúvidas...

Suspenso no ar, percebo que procura um lugar para se recostar. mas o meu corpo é o peso. o peso e o sopro de quem cansou-se das horas. não há mais. uma lágrima se forma no canto do olho e escorre sozinha e desprendida até o travesseiro. já não sei se me importo. no corpo e no peso e na solidão desse momento, muita coisa é efêmera. talvez essa lágrima quisesse definir algo, mas é apenas mais um desses pesos. o meu corpo, as horas, o silêncio e uma lágrima. não há mais. percebo que a suavidade do desejo, a pena, escolhe cair perto de mim, ao lado do travesseiro. lentamente levo a mão direita até ela e agarro-a com uma força de quem não quer deixar se esvair essa ponta de algo que pode reascender qualquer chama. agora somos nós: o meu corpo, as horas, o silêncio, a lágrima incompreendida e um desejo capturado que, refém dos meus dedos, quer rende-se, na ansiedade de transformar -se logo em ternura, em palavra, em amor.

e inundar.me.

2010/09/14

Fato

Nuno Chacolo - Storm Days (olhares.com)

''Não tenho nada a perder, a não ser ilusões.''

(Maritza, do sucrilhos-e-bigornas)


2010/09/11

26 anos

Tapeceiro, não se engana
Sabe o fim desde o começo,
Traça voltas, mil desvios sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria,
É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes
Se você olha do avesso,
Nem imagina o desfecho
No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo,
Muda-se logo a expressão do rosto...

.

.

Trecho de O Tapeceiro - Composição: Stênio Március

=)

Foto: desconheço autoria

2010/08/07

Até quando?

Desconheço autoria

O discurso do `` é difícil pra mim``, seja em relação a trabalho, mudanças, sentimentos, sonhos, pode até parecer interessante, mas também um pouco cínico. Contenta-se com menos do que se pode. Já que é difícil, vou ficar com esse trabalho mesmo, esse amor mesmo, essa vida rotineira e desgastante mesmo. É mais fácil dizer que é difícil do que levantar e ir tentar. Não que não devêssemos nos ajustar a situações, mas afirmar sempre que é tudo tão difícil soa um pouco cômodo. O que fazer para parecer ser fácil, ou menos difícil? Mudar a forma de pensar, querer sentir, mover-se contra a inércia que insiste em nos deixar estagnados vendo a vida passar? Não sei, eu também costumo me esquivar de tantas responsabilidades e desejos simplesmente porque `` é difícil pra mim.`` Não estou aqui para sustentar um discurso de auto ajuda : tente, vá, lute, você vai vencer! Seria muita hipocrisia, mas parei pra pensar nessa frase de ser tudo sempre tão difícil, e eu continuar dizendo isso pra mim, pro meu coração e pro mundo... Daí a vida vai correndo (e não espera), estações vem e vão, amores idem, oportunidades, e eu acabo me vendo como essa estátua aí, estagnada, imóvel, e cheia de ``dificuldades``, segurando o que a vida tem de melhor. A gente vira uma casca cheia de vontades e desejos por dentro, mas esses não afloram devido a nossa des-esperança de que talvez possa dar certo, mas é melhor nem tentar, é tããao difícil!

Mas vem cá, é fácil pra quem?

(e ser tudo difícil cansa...)

2010/07/28

Desejo

Paulo A. - [My secret november...] - (olhares.com)

Que o medo um dia se torne um grande amor.

2010/07/10

E se eu te pedisse pra tentar entender?

Desconheço autoria

Só me perdoa, perdoa mesmo, se eu não consigo retribuir da mesma forma esse prenúncio de algo bom. É porque, das desilusões da vida, das perdas e tropeços, criei uns espinhos aqui e acolá para me proteger não sei de quem, ou do quê. Sei que pode doer em você, mas eu sem bem o que eu tive que passar para estar aqui. Você não tem nada a ver com isso, muito pelo contrário, tu és um sorriso que a vida me deu, só não sei por quanto tempo. Mas se for só até amanhã ou depois, já valeu essa ternura toda, ainda que momentânea. São bons momentos assim que acalmam a alma, despertam o coração...

Perdoa se o tom da voz não é o mesmo, mas eu tento, eu sempre tento. Se, por vezes, a mão que toca o teu rosto parece um tanto pesada, ou áspera, mas é que por alguns motivos, que um dia prometo te contar, desaprendi a ser tão suave como sempre idealizei ser. Mas eu estou tentando, eu sempre tento. Só não sei se você tem paciência para esperar. Tem?

Desculpa essa falta de jeito, essa falta da palavra, da presença, mas é que, quando o sol brilha um pouco mais forte lá fora, anunciando um dia que vai ser muito bom, essa luz ainda fere um pouco as vistas.

2010/06/15

Da série: uma saudade imensa

Hoje eu senti falta do seu sorriso.

2010/05/04

De súbito

Limone - Itália

De repente um sentimento de despertencer, como se um barco que se desvencilha da âncora, como se uma pétala que explode do broto, como se a asa do filhote que se abre, como se a gota que cai da ponta da folha, como se o velho que se livra da bengala, como se a lágrima que se despede dos olhos... de repente esse sentir-se ímpar, sem saber como, o quê ou para onde, como se uma voz que chamasse pelo meu nome ecoasse distante, num clarão que já não cabe e rompe as frestas do coração e da alma, que só querem sentir-se completos.


2010/04/05

Duas solidões

Wish you were here - Desconheço autoria

Duas solidões são passantes que se entreolham, mas não se vêem exatamente nos olhos do outro. Vêem vultos, rabiscos, mas não a si. Mas, mesmo assim, sorriem, querendo transmitir o sorriso que pertence à outra pessoa. E eles sabem disso.

Duas solidões andam de mãos entrelaçadas, mas a mão é fria, o coração é distante. Mas, mesmo assim, trocam palavras bonitas, ainda que essas palavras tenham um destinatário, no fundo do peito, diferente.

Duas solidões brincam, mas a brincadeira, na realidade, não tem graça.

Duas solidões dizem palavras tocantes, e se forçam a acreditar nelas, mesmo sabendo que aquilo não o toca da mesma forma que tocaria se fosse dito por aquele ao qual pertencem realmente. E eles também sabem disso.

Elas se enganam... Duas solidões que insistem em se encontrar, em estar perto, mas só fazem é se afastar, e se perder de si.

E existem tantas solidões por aí, insistindo inutilmente em ser felicidade... não é?

Eu desejo que você nunca encontre a sua solidão gêmea ou muito parecida, como eu já encontrei e convivi. Que você nunca permita se enganar desse modo. Que realmente espere por quem ama. Afinal, ser solidão é acabar como aquele pássaro que, preso na gaiola há tanto tempo, e já acostumado a viver assim, desaprendeu a cantar. E eu não quero nunca que você desaprenda a amar.

Nunca.

2010/03/25

O fim do dia

Policarpo - Segredos (olhares.com)

O dia me cansa. As perguntas continuam pairando no ar. As certezas são escassas. Farta-me a indiferença das pessoas, a falta de sentimento. O tempo vai engolindo as horas como quem não se ressente de permitir um pouco mais de cor. É difícil lidar com a vida.

Resolvo voltar para casa, tomar um banho e, antes de lembrar do dia de amanhã, recolho-me a pensar em ti. É que quero um momento de paz, e, pensar num passado que reincide nessas horas que restam, solitárias, traz alento. Os nossos quase-eternos momentos. Às vezes quase não me lembro de muitos detalhes, ou não me esforço para tal. Basta-me lembrar da tua mão sobre a minha, do nosso silêncio, da minha não-solidão...

E, pensando que estás descansando, ou lendo, ou quem sabe vivendo também dessa forma... ou ainda que não estejas fazendo nada disso, eu, na ânsia por ti, desejo tomar carona nesse vento que sopra anunciando chuva, e, secretamente calada, sorrateiramente tua e instantaneamente feliz, ir até onde estás e dar um beijo em cada um dos teus olhos.

2010/02/20

A solidão da palavra

Praça da Catedral de Notre Dame - Paris

A solidão de uma palavra que consiga traduzir a ansiedade ou o temor de um momento qualquer parece povoar um vento que não sopra. Talvez nessa brisa é que esteja a palavra, o sentimento, a substância. A solidão da palavra habita na monotonia e na ordinariedade dos dias. A página em branco não consegue colorir-se de letras e sentimentos, porque, sozinhas, padecemos. Talvez o que devesse nortear o coraçao não deveria ser a falta (de coragem) da palavra, mas, de repente, um querer maior, uma vontade (mas falta coragem) de traduzir-se nas entrelinhas do pensar.
Por hora habitam-me a solidão da palavra, o vento que não sopra e um desejo qualquer de ser compreendida.

2009/12/31

2009/10/31

Da série: perguntas...

Noivos em Padova - Itália

A felicidade pode esperar?!

2009/09/11

Tem gente de aniversário!


25 flores para mim hoje!


Feliz por demais!


:D

2009/05/30

Entre o coração e eu

Rafael Almeida - Onde o mar começa e a terra acaba (olhares.com)

Entre o coração e uma lágrima que foge de mim, sem ao menos dizer a que veio, existe uma ausência de desejos.

Entre o coração e o meu corpo existem apenas saudades ocas e perdidas nessa imensidão de desesperanças.

Entre o coração e os meus olhos existe um horizonte impreciso de incertezas, e um sol entre escuras nuvens.

Entre o coração e o pensamento existe um vazio de mim.

É quando eu me perco entre a margem e o fundo, sem ao menos uma nesga de luz, um prenúncio de norte, mas apenas frestas que transbordam impossibilidades.

Então a vida me re-lembra que entre o coração e todos os impedimentos do mundo existe o meu sorriso.

A partir daí eu volto a ser suficiente para me bastar.

2009/04/24

O mar e as pegadas


Tantas pegadas que o mar apaga, um longo caminho a trilhar. Muitas são as que, marcadas, preferiria que fossem levadas para o fundo, enquanto tantas outras que gostaria que fossem eternizadas, mas ele preferiu levar...
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Mas a memória guarda o que de mais bonito vivemos, assim como o que não gostamos tanto assim de viver, mas precisamos. Valeu o aprendizado? Ainda que eu não entenda hoje, mas um dia tudo vai fazer sentido...
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Vou seguindo e, me equilibrando nos trilhos do tempo, trago nas mãos um tanto de quereres e anseios, um motivo tão singular para não deixar à beira do caminho os sentimentos de que sou feita, os sonhos, ou o amor...
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E que a vida transborde de razões únicas... sempre!

2009/03/28

O mar e as palavras


.
.
O barulho da onda do mar só faz sentido quando ecoa dentro do coração de alguém. Assim como as palavras...
.
..
Quais palavras você tem permitido ecoar por dentro?

2009/02/27

Sorrisos

Silvia Roman - Red - olhares.com

Em algum momento de um caminho difícil, a vida sorri. E ela o faz quando menos se espera, quando estamos talvez focados em tantos outros objetivos, que esquecemos de parar um pouco e olhá-la. E, ao permitir fazê-lo, ainda que com lágrimas nos olhos pelas feridas que o tempo causou, ela ainda sim sorri, querendo estar perto, junto, como lua cheia que, completa, deseja saciar-nos. E, mesmo que não devolvamos essa pureza, ela continua a acreditar: dentro de nós existem ainda aqueles mesmos olhos largos que, quando gargalham, miúdos ficam. Aqueles mesmos dentes escondidos que, quando se mostram, colorem tudo em volta. A vida acredita sim, ainda que não percebamos, em meio a confusões de sentimentos e lutas...
E quando a gente se permite contemplar, sem graça e encantados, essa ternura singela de seu sorriso largo, chegamos até a esquecer, por um átimo de tempo, de tudo o que um dia já doeu.

2009/01/22

Sobre o Seguir

Valdir Rodrigues - Beija (olhares.com)

Depois que a gente resolve simplesmente seguir a despeito do que nos causaram, ou do que causamos a nós mesmos quando afogamos nossos sonhos e esperanças naquele lamaçal de solidão ou de mágoa por algo que não se esperava, ficamos à mercê de tanta coisa... Depois então de sonhar, e acordar, e nada ter mudado, e sonhar de novo, até se sentir cansado e não querer mais sonhar, ficamos apáticos, anestesiados, emudecidos diante do mundo. Nada disso deve terminar assim, bem sabemos, mas, mesmo depois de se enxugar lágrimas, surpreender-se com a vontade de sonhar um novo sonho, diferente, mágico, único, re-ver algumas coisas de forma diferente, desejar ser maior, mudar, amadurecer, fica sempre uma pergunta latejando na mente, na alma, no coração: será que a vida esqueceu do que eu espero dela?

Tomara que não.

2009/01/11

|Momentos|

Gil Garcia

Existem momentos em que deveríamos calar as vozes de fora, de dentro, e permitir que apenas o coração se comunique, ainda que ele escolha silenciar. Esses são presságios de tempo que por si só bastam. Bastam-se. Se bastam. A si.

E eu fico tentando tocá-los, possuí-los, como se entre nós não houvessem mais fronteiras, mais todas essas limitações de amplidão e prenúncios de algo escondido, como um sorriso ou uma lágrima fugidia... Mas ele escolhe não silenciar, mais uma vez. Prefere permanecer nessa arritmia de oras gritar, oras balbuciar, oras sorrir ou oras simplesmente se esquecer de mim. De nós...

Mas eu vivo cada um desses momentos, e sorrio a cada movimento que brota do peito, porque sei que esse é o tempo eterno que dura o suficiente para não se perder em mim. E se fixa na tênue linha da paixão e do medo, para depois esmaecer de mim, como o breve instante de um suspiro ainda inacabado de saudade.

2008/12/30

[colheita]

Miguel Santos - S/T - olhares.com
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É chegada enfim a época da colheita, de largar as mãos da saudade, de abrir os braços e se entregar. de tempos em tempos é assim. é permitido viver. longos períodos de calmaria, alternados por calores e urgências. e assim a vida segue seu rumo. e assim vou caminhando. sigo a trilha, sem atropelos e percalços. no meio do caminho, ergo os braços e sinto mais uma vez que é chegado o tempo de ser feliz...
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por juliana pelegrini
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Desabroche em 2009!
.de verdade.

2008/12/17

Luiza Possi

Desconheço autoria

''Além do arco-íris
pode ser
que alguém
veja em meus olhos
o que eu não posso ver
além do arco-íris
só eu sei
que o amor
poderá me dar tudo que eu sonhei
um dia a estrela vai brilhar
e o sonho vai virar realidade
e leve o tempo que levar
eu sei que eu encontrarei a felicidade
além do arco-íris
um lugar
que eu guardo em segredo
que só eu sei chegar...''

Além Do Arco-íris
Luiza Possi
Composição: Harold Arlen

2008/12/04

O teu amor foi embora

Ariovaldo Molina Vidotto - O botão da Adália - olhares.com

O teu amor foi embora e eu procuro me conformar com isso enquanto o tempo esfrega na minha cara cada uma das tuas mais bonitas mentiras, cada uma das tuas palavras e promessas não cumpridas. Ele joga na minha cara a saudade que sinto, o desejo não realizado, a mão que não segura a minha, o sentimento que talvez nunca tenha existido. Mentira, existiu sim. Mas, enquanto o tempo tenta me convencer do nunca, do não, do improvável, eu sigo e vou me lembrando de um passado não tão longínquo, do quanto a vida era mais simples, do meu sorriso mais aberto, de tudo aquilo que eu pude me transformar para ser hoje. O tempo joga na cara, o corpo não agüenta e uma lágrima cai, mas daí vem a mão (essa mesma que tu não seguraste) e seca, vem o pensamento e me leva a um outro lugar, vem a lembrança de um tempo bom e tudo isso se rende e silencia. Porque a vida, o amor e o desejo de felicidade acima de algo não concretizado, o desejo pelo melhor da vida, isso sim me liberta de nós.

2008/11/22

Sobre a dor

Mulher na mesa - Maria são Miguel
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A palavra não-dita dói mais que a proferida, mesmo na intensidade que deveria ter. O perdão não liberado dói mais do que o ressentimento. A lágrima presa nos olhos dói mais do que um sorriso negado. A falta de atitude dói mais do que uma ação repentina e surpresa. A indiferença dói mais do que o silêncio. Viver dói mais do que ver a vida passar. Mas só ver a vida passar e não fazer nada por ela dói mais, muito mais do que tudo isso junto, e ainda com a infeliz certeza de ver as horas, dias, minutos passarem, e não fazer nada por eles, nem por si, para depois abrir um sorriso.
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Viver dói, crescer (por dentro) dói, pisar no orgulho dói. Tudo dói, mas, antes ir doendo e passando, do que viver com todas as dores apertando no peito, inchando-o. Há de haver uma hora que, rompendo-se todas, a palavra dita acaba por ferir muito mais do que o silêncio que achávamos fazer algum sentido. E talvez essa dor não seja uma daquelas que passam assim, rápidas e imperceptíveis.
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Viva. Cresça. E aprenda a lidar com as palavras e atitudes, afinal, dor, por menor que seja, incomoda e muito.

2008/11/12

Nothing but this

postsecret.blogspot.com
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'' Nós aceitamos o amor que nós pensamos que merecemos.''

E eu quero continuar pensando que a despeito de tudo, do que aconteceu ou deixou de acontecer, dos erros, acertos, tropeços, mudanças, medos, eu ainda mereço o melhor amor do mundo!

Porque muitas vezes a gente pensa o contrário e quer se convencer de que não é bem assim.

Mas é assim sim.

2008/10/27

Desertar-Se

Helena Maria Milheiro - Deserto ( olhares.com)
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Deserto de mim todas as palavras que me impedem e, juntos, vão-se os sentimentos, antes cheios de coragem e expectativas hoje ocas. Deserto as atitudes vãs e guardo na memória algum resto bom. Digo deserto porque, assim como me trouxeram esperanças e um sonho bonito, daqueles que não vemos a hora para dormir, trouxeram também as feridas do tempo e os abismos da alma, cheios de incompreensões e lacunas. E eu, na ânsia por te-los em sua pureza, intactos, não consegui, pois acabaram por mostrarem-se dúbios no seu sentir, tragando-me para um fundo de interrogações e medo.

Desertar-se e não ser um deserto, afinal, ninguém o é, porque ficam as atitudes cravadas na mente e as palavras tatuadas na alma. Temos sim um tanto de pegadas...

Digo deserto porque talvez seja apenas nele, no vazio, sem empecilhos, limites, apenas nós e nós mesmos, é que a vida pode trazer uma nova chuva, regar o broto de um novo sonho e, enfim, encontrar alguma possibilidade para re-começar.

2008/10/18

Últimas, penúltimas, antepenúltimas...

Carlos Pinheiro - Caixa de Pandora (olhares.com)

Ultimamente eu prefiro pensar que vale mais olhar para dentro de si, não no sentido de egocentrismo, resumindo-se apenas a esse mundo interno, mas naquele sentido de encontrar reais possibilidades de mudanças, de renovo, de redescoberta, para ver onde a vida pode ser mais bela, onde posso plantar uma flor e, principalmente, onde posso desabrochar e sorrir.

E você, no que tem pensado?

2008/10/03

Sobre o amor

Rattus - More than this... (olhares.com)

Quando o teu amor bateu à minha porta, eu te abri não só a porta, mas as janelas e os quartos escuros. Eu te abri a alma, o coração e o meu mundo. Te permiti vasculhar os becos, os cantos, a alma. Eu deixei porque o teu amor era simples, inteiro, bonito. O teu coração não era daqueles grandes que se abrem facilmente a qualquer outro. E quis esse coração de menino bem perto de mim, assim mesmo, inocente e peralta. Eu quis brincar contigo como uma menina de tranças no cabelo que volta da escola com saudade do seu garoto, do seu amor. E não me arrependo. Eu te permiti para que tu me percebas sem lacunas. Porque só assim, pequena e menina, tua menina, no sorriso, nos olhos, na conversa, cúmplices, é que eu posso aprender a te amar.

2008/09/21

Sobre caminhos

Cláudio Márcio Lopes - Caminho de ferro (4) - Olhares.com

Difícil entender, eu sei, e mais difícil é colocar em prática o `` deixa acontecer``. Deixa o coração calmo, a mente sã. Deixa que esse amor se concretiza. Deixa que o amanhã chega logo. Deixa que ele colhe o que plantou. Deixa que o sonho se realiza. Deixa, deixa... tão difícil deixar quando se quer hoje, agora, nesse momento. Como deixar, meu amor, esse beijo para o dia que tu voltares, se voltares, quando o quero hoje? Como não ligar para quem eu quero, e esperar a poeira abaixar, as coisas entrarem nos eixos? Como não fazer tudo o que posso e o que não posso hoje, se o amanhã já bate à porta? Tenho que ir, me explicar, me redimir, ou falar em bom tom o que penso e como vai ser.
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Muitas vezes, queremos o ontem hoje, mas hoje nos arrependemos do que fizemos ontem, e tudo vem à tona, e ficamos afoitos com o que há de vir, porque tem de ser do nosso jeito, sob nossa ótica e acontecer todas as nossas circunstâncias. Queremos logo, queremos para agora, hoje eu te quero, hoje eu quero ser feliz, hoje o sucesso tem de me alcançar, amanhã também, e mais um monte de coisas. E nos esquecemos que a vida é o percurso, é o processo, e isso é mais importante do que o fim, eu até já disse.
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Mas o processo causa aflição, os dias se demoram, as situações mais ainda para se resolverem, serem do jeito que queremos. Portanto, deveríamos mesmo parar de nos preocupar e deixar nas mãos do tempo, da vida, e viver da forma que acharmos certo: com erros e acertos, batendo cabeça e aprendendo, errando e se desculpando. Daí sim a estrada não parece ser tão longa, o sorriso é mais sincero, o dia amanhece e se vai mas bonito... Porque tudo pra hoje, ou pra ontem, causa aflição, e a aflição nos faz esquecer que a maior distância entre dois pontos, ou seja, entre onde você está hoje e onde você quer chegar, é, muitas vezes, ou todas as vezes, justamente o atalho.

2008/09/17

Uma só palavra...

Ana Luisa (3 anos) e Arhur (2 meses) - meus sobrinhos


Ternura.

2008/09/11

Meu aniversário!

''O vento toca o meu rosto
me lembrando que o tempo vai com ele
levando em suas asas os meus dias,
desta vida passageira
minhas certezas, meus conceitos,minhas virtudes, meus defeitos
nada pode detê-lo......o tempo se vai...''



Oficina G3 - O tempo

:D

2008/08/30

Apocalipse 16

By Punicacia

``O tempo bom existe sim ele sorri, pra quem quiser viver
O bom momento vai estar pra pra sempre na sua mente
Basta lembrar pra vida ficar diferente

Você não vai desistir de viver, vai?
Não vai parar e deixar tudo para trás, vai?
Não vai perder,vai?
Desanimar, vai?
Enlouquecer e esquecer do seu projeto que tanto corria atrás
Não, você não vai.
Haja o que houver não desista
Seu bom momento pode estar dançando do seu lado na pista
Então dance com a vida, pra que seu bom momento exista
Planeja e realiza, mesa farta com comida
A roupa nova, a calça, o tênis, a camisa
É sempre um bom momento a conquista do que se precisa
O natal dos seus sonhos pode já ter passado
Ou o ano da vitória ainda não ter conquistado
Pisar na areia, entrar no mar, sair todo molhado
Sentir na pele o calor do sol, num domingo à tarde, no campo de futebol
Ou deitar na grama e ver as crianças correndo
Ter a certeza que é da maneira certa que está se envelhecendo
Seja qual for o momento, lembre de um bom tempo
Cante a canção, agora mesmo pode ser um tempo bom

O tempo bom existe sim ele sorri, pra quem quiser viver
O bom momento vai estar pra pra sempre na sua mente
Basta lembrar pra vida ficar diferente

Bons tempos são reais, só que o bom tempo vem e vai
Um tempo bom todo mundo tem na vida
Lembrar das coisas boas ajuda a prosseguir
Viver um tempo bom é o que você precisa pra ser feliz e não pensar em desistir.``

Bons tempos
Apocalipse 16
Composição: Pregador Luo
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Bons tempos, tempos bons...

2008/08/14

Sobre tudo

Marta Ferreira - Desistência (olhares.com)

Tudo em mim é uma falta, uma busca que não se finda, um esperar oculto e inexplicável de quem fica sem saber para onde vai. Tudo em mim é um rio que se esvai para um poço onde estão todos aqueles sentimentos inacabados, como se rabiscos do que não se sabe, do que não se esperava... uma tinta borrada do tudo que fui e que agora não sou, ou de tudo o que realmente sou mas até agora não se revelou para a vida de forma nua e sem lacunas. Tudo é como uma lua que passa por todas as fases, mas não por mim. É um amanhecer e entardecer que não pressinto, mesmo sabendo existirem por mim e para mim. É um sol que brilha, ainda que por detrás das nuvens, e eu, debaixo dessa sombra, sou toda a esperança de que posso me refazer, retornar, mudar, desabrochar...
Tudo em mim são a vida, os sonhos, os desejos, e as esperas que, aninhadas com o tempo, cobrem-me de incompletudes e amanhãs.

2008/07/26

sobre o medo

André Viegas (olhares.com)
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O medo em mim é um gigante. Medo do novo. O novo nos deixa desnorteados, justamente porque saímos da zona de conforto, daquilo que nos era aprazível e encaramos algo diferente. Isso é bom, mas causa angústia. E paraliza. Medo de ser incompreendida, de se precipitar, de errar, ferir, frustrar. O medo é sim um gigante. Tudo novo e eu amedrontada por causa do passado. Ninguém esquece os erros, apenas olha para eles como se fossem aprendizados. Erros que proporcionaram amadurecimento. Mas, ao olhar para trás, ainda estão lá, e continuam sendo erros, porque, às vezes, é só errando que se aprende. Mas o erro nunca será um acerto, nem contando que se aprenda!

Erro é erro. Acerto é acerto. Cicatriz é cicatriz. Aprendizado é aprendizado.

Existe um medo pairando num buraco do peito. Parece que encontrou lugar bom, querendo levantar lonas e dizer que veio para ficar. Para vencê-lo, só mesmo fazendo-o sentir-se tão pequeno a ponto de perceber-se desnecessário, ínfimo, desaconchegado, e ir-se. Para vencê-lo, só mesmo uma atitude de coragem que o faça sentir medo de mim. Imagina: o medo com medo da minha coragem...

Mas cada dia é uma luta, ele querendo apoderar-se do que não lhe pertence, e eu tentando vencê-lo a qualquer custo. O medo é sim um gigante. O medo é Golias, e eu, o pequeno Davi. São tantas vozes dizendo que não devo, são tantos outros caminhos para fugir... E eu aqui, querendo acertar o alvo para conseguir avistar o horizonte que se forma atrás do gMoEliDasO. Com certeza ele deve ser bonito, bem diferente desse que avisto agora, enquanto sigo para o rio em busca de 5 pedrinhas...
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ps: que foto simplesmente linda!!! Eu quero um horizonte assim. :)

2008/07/12

Nunca deixe a(o) menina(o) dentro de você morrer

Ana Luisa

Difícil não viver de ilusões, em meio a todos esses castelos que se constroem e se desconstroem, esse de areia hoje, que desmorona amanhã e logo em seguida outro se forma, e eu penso que é verdadeiro, e, em breve, também se desfaz. E todos os sentimentos alimentados em relação àquele vêm a tona, causando angústia e descontentamento, como se desnorteasse qualquer alma em busca de um horizonte mais preciso.

Porém, em meio a sentimentos inconclusos, a monstros de ansiedade, a lacunas e pontos de interrogações, eu a vejo. Eu a vejo lá todo o final do dia dentro do meu peito. aquela menina. ao fim do dia. existe uma menina dentro de mim. que me espera. que me chama para brincar. E com ela eu me redescubro, eu me refaço, re-penso, volto a sonhar. Pena que a menina dorme, porque se cansa. Daí eu volto a esse mundo repleto de versus. Ilusão-versus-desilusão, sonho-versus-realidade, alegria-versus-lágrimas, falta-versus-presença. versus. versus. versus...

Mas eu espero, eu sempre espero e ela espera por mim. Porque existe um horizonte, existe um sonho e existe uma menina que me chama pra brincar. Não que a prefira a viver essa realidade, mas só a gente sabe como é estar num mundo onde as coisas fazem mais sentido. Cada um sabe a delícia de receber um sorriso cúmplice e incondicional vindo dessa pessoa nesse mundo de possibilidades ainda que aparentemente impossíveis que criamos. Então acorda menina. acorda e brinca comigo. brincaremos. brincamos. sempre. Eu. Ela. e os nossos Sonhos mais bonitos.